Não sabes de onde vem nem para onde vai

Quem és tu, doce luz que me cumula

E ilumina as trevas do meu coração?

Tu me guias como a mão de uma mãe

E, se me largasses,

Eu não poderia dar nem mais um passo.

Tu és o espaço

Que envolve o meu ser e o abriga em ti.

Se o abandonasses, afundar-se-ia no abismo do nada,

De onde o tiraste para o elevares até à luz.

Tu, mais próximo de mim

Do que eu mesma estou,

Mais íntimo dos que as profundezas da minha alma

E, contudo, intocável e inefável,

Para além de todo o nome,

Espírito Santo, Amor eterno!

Não és tu o doce maná

Que, do coração do Filho,

Transborda para o meu,

Alimento dos anjos e dos bem-aventurados?

Aquele que se ergueu da morte à vida

Acordou-me também a mim

Do sono da morte para uma vida nova.

E, dia após dia,

Continua a dar-me uma nova vida,

Cuja plenitude um dia me inundará,

Vida saída da tua vida,

Sim, Tu mesmo,

Espírito Santo, Vida eterna!

Comentário ao Evangelho segundo S. João 3,7-15, de Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa, no Pentecostes de 1942. Filha de judeus alemães, Edith Stein foi discípula do filósofo Edmund Husserl e morreu nas câmaras de gás do campo de concentração de Auschwitz. A “judia, filósofa, religiosa, mártir” (expressão de João Paulo II) foi canonizada no dia 11 de Outubro de 1998.