Revisitando o Vaticano II A questão da comunhão eclesial, seja no sentido e entusiasmo da fé, seja na orgânica pastoral e no compromisso da missão, resulta, e tem a sua fundamentação mais sólida, no carácter sacramental da Igreja. O seu próprio fundamento – Jesus Cristo – é sacramento: os Seus gestos e palavras, sinais e prodígios, a presença e manifestação humana da Sua pessoa, são a mediação da torrente salvífica que Ele nos comunica, dando ela mesma unidade à Sua pessoa divina.
“Ele distribui continuamente ao Seu corpo, que é a Igreja, os dons dos ministérios (…). Para que possamos renovar-nos constantemente nEle, repartiu connosco o Seu Espírito, o qual, sendo um só e o mesmo na cabeça e nos membros, vivifica, unifica e dirige de tal modo o corpo inteiro, que a sua função pôde ser comparada pelos Santos Padres àquela que a alma, princípio de vida, exerce no corpo humano.” – LG 7.
Acolher o Espírito santificador, que actualiza e revigora permanentemente em nós a graça salvadora – dom do Senhor Jesus -, faz-nos crescer pessoalmente na fé e assumir a diversidade de instituições, funções e ministérios como a mediação desse cescimento pessoal e da mútua edificação como corpo, isto é, como mediação do germinar e desenvolver da comunhão – no sentir da fé e na paixão pela missão.
Em palavras simples, Bento XVI reafirmava, no domingo passado – e fazendo-se eco da sua homilia na tomada de posse da Cátedra de Roma – esta estrutura e unidade sacramental, que forja e reforça a comunhão autêntica. “A feliz coincidência entre o Pentecostes e as Ordenações presbiterais convida-me a sublinhar a ligação que existe, na Igreja, entre o Espírito e a instituição. (…) A Cátedra e o Espírito são realidades intimamente unidas, como o são o carisma e o ministério ordenado. Sem o Espírito Santo, a Igreja reduzir-se-ia a uma organização meramente humana, sobrecarregada pelas suas próprias estruturas. Mas, por sua vez, nos planos de Deus o Espírito serve-se habitualmente das mediações humanas para agir na história. Precisamente por isso, Cristo, que constituiu a Sua Igreja sobre o fundamento dos Apóstolos unidos em volta de Pedro, enriqueceu-a também com o dom do Seu Espírito, a fim de que a conforte no decurso dos séculos (Cf. Jo.14,16) e a guie para toda a verdade (Cf. Jo.16,13) .”
Esta é a Igreja que Jesus Cristo fundou e deseja; esta é a Igreja que será sinal erguido entre as nações. Conclui, nesse sentido, o Santo Padre: “Possa a Comunidade eclesial permanecer sempre aberta e dócil à acção do Espírito Santo, para ser entre os homens sinal credível e instrumento eficaz da acção de Deus.”
Querubim Silva
