À Luz da Palavra – Santíssima Trindade – Ano A A festa que hoje celebramos abre, na Liturgia Cristã, o Tempo Comum, como que a lembrar-nos que toda a nossa vida dimana de Deus Trindade e para Ele se encaminha. Ele é a origem e o fim de todo o nosso ser e existir. Recordando os ensinamentos do bispo S. Atanásio (séc. IV), acreditamos que toda a Trindade é criadora e eficaz. Nela há uma só natureza, e uma só é a sua eficiência e acção. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo, afirmando-se, deste modo, a unidade da Santíssima Trindade.
Para vincar esta unidade, a Tradição da Igreja elaborou o termo “pessoa”, distinguindo-o de “natureza”. Assim, a Trindade define-se por ser três pessoas iguais e distintas numa só natureza. Cada uma das pessoas é constituída pela relação específica que a une às outras. Mas as pessoas inscrevem-se na unidade da mesma natureza divina e não a multiplicam.
Na primeira leitura, o Deus da comunhão e da aliança, determinado em estabelecer laços familiares com o ser humano, apresenta-se a si mesmo: Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia. Em razão do seu amor e da sua ternura, ninguém tem receio de se aproximar deste Deus, porque acima de tudo, Ele tem um coração paternal e maternal, estando sempre disposto a amar e a perdoar. Nós, seres humanos, somos chamados a participar no mistério trinitário de Deus, que se revela desde todos os tempos e, de forma total, em Jesus, ao mesmo tempo como o Deus mais próximo e o mais transcendente, relativamente à pessoa humana.
Na segunda leitura, Paulo ex-pressa, através da fórmula litúrgica: “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”, a realidade de um Deus que é comunhão, que é família, e que pretende atrair todos os homens e mulheres para essa dinâmica de amor. No início de cada celebração litúrgica, somos saudados com esta fórmula de Paulo dirigida aos Coríntios. De facto, é a presença da Trindade que constitui a comunidade cristã. Ela é a fonte da comunhão e a origem do amor mútuo, da paz e da alegria fraterna.
No evangelho, João convida-nos a contemplar um Deus cujo amor por nós é tão grande e tão maravilhoso, que o levou a enviar ao mundo o seu Filho único, a fim de que ninguém se perca, mas todos se salvem. E Jesus, o Filho, cumprindo o plano do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de nos oferecer a vida definitiva, começada aqui e plenificada no além, na parusia. Nesta assombrosa história de amor, plasma-se a grandeza do coração do nosso Deus!
Deus quer comunicar connosco, isto é, dar-se a nós e fazer-se conhecer, porque, em si mesmo, Ele é comunhão e dom: é amor. O seu projecto é introduzir-nos na sua própria vida de comunhão, porque é só pelo amor que nos realizamos totalmente como pessoas humanas. É nisto que consiste a salvação. O Pai gera o Filho, no qual nos tornamos, também, filhos e filhas de Deus, e envia o Espírito de amor, para nos ajudar a viver da sua própria vida. É da unidade do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, que cada um de nós e a Igreja inteira tira a sua unidade.
Santíssima Trindade: Ex 34, 4b-6.8-9; Dn 3,52-56; 2 Cor 13,11-13; Jo 13,16-18
Deolinda Serralheiro
