Fátima espera visita do Papa

Atrasos na Basílica não alteram data de inauguração em 2007 “O Papa vai ser convidado para muitos sítios, porque é uma personalidade universal; e não podemos ser egoístas. Amanhã [dia 13], no fim da celebração solene, vou ler um texto de saudação onde será referido que gostaríamos de receber muito em breve a visita do Papa”, adiantou.

“Bento XVI pode vir em qualquer dia do ano, porque o facto de vir é já, por si só, uma festa”, acrescentou o prelado, quando questionado sobre qual a data desejada para a visita.

O Reitor do Santuário de Fátima, Pe. Luciano Guerra, revelou esperar a presença de Bento XVI no nosso país para a inauguração da igreja da Santíssima Trindade ou para a canonização dos beatos Jacinta e Francisco Marto, videntes de Fátima.

“Gostaríamos que o Santo Padre viesse cá para canonizar as duas crianças; e poderia aproveitar para consagrar a nova igreja; mas este é apenas um desejo que qualquer cristão pode manifestar”, afirmou.

Os responsáveis indicaram também que a data da trasladação do corpo da Irmã Lúcia para a Basílica de Fátima ainda não está decidida, por uma questão de “delicadeza” para com as religiosas do Carmelo de Coimbra. Em princípio, contudo, a trasladação deverá ocor-rer um ano após a morte, sendo sepultada junto da sua prima Jacinta.

Duas entrevistas, de Junho e Outubro de 1992, à última das videntes de Fátima deverão ainda ser divulgadas nos próximos tempos, mas os responsáveis do Santuário negam que “haja nelas algo de secreto”.

“A novidade desses documentos terá a ver com a imagem da Irmã”, esclareceu o Reitor.

Nova Basílica inaugurada em 2007

Apesar dos atrasos registados na construção da nova Basílica de Fátima, tanto o Pe. Luciano Guerra como D. Serafim esperam que a inauguração aconteça em Maio de 2007, no 90º aniversário das Aparições e no ano do 100º aniversário de nascimento da Irmã Lúcia.

Num encontro com os jornalistas que acompanham as cerimónias do 13 de Maio, o Reitor do Santuário admitiu que, relativamente ao último balanço, as obras “se atrasaram ainda mais”, justificando o facto com as dificuldades geradas pelo pioneirismo do projecto.

Uma eventual derrapagem no orçamento foi negada pelo Reitor. “Penso que não ultrapassaremos em mais de 5% do preço da adjudicação”, assegurou.

A futura igreja da Santíssima Trindade, em Fátima, será o maior recinto público fechado do país. Com custo estimado em 40 milhões de Euros, o templo terá a capacidade de nove mil lugares sentados.

A igreja terá forma circular, com 125 metros de diâmetro, e é sustentada por um grande pilar que suporta toda a cobertura e evita colunas no interior do templo. O projecto, desenhado pelo arquitecto greco-ortodoxo Alexandros N. Tombazis, combina a luz e a tecnologia, procurando respeitar a atmosfera de Fátima.

O interior da igreja é iluminado pelo tecto, através de janelas viradas para Norte (sheds), dando prioridade à luz natural. Será possível mudar a iluminação, em diferentes lugares e com diferentes intensidades, com a ajuda de um sistema computadorizado. Simbolicamente, a orientação dos sheds lança o olhar em direcção à Basílica já existente.

O projecto inclui um espelho de água, nas duas escadas centrais paralelas da entrada, elemento com que Tombazis admite querer transmitir a calma e a serenidade transmitidas pelo local, um recinto que ecoa uma “paz infinita”, nas suas palavras.

Além da porta principal ,abrindo em vasto adro sobre o Recinto, há 12 portas laterais, seis de cada lado. A porta principal será consagrada a Cristo e as laterais aos Apóstolos.

Com um volume de quase 130.000 m3 e uma altura média de 15 metros (a altura exterior ultrapassa levemente a actual colunata, permanecendo a torre da Basílica como o elemento dominante), a nova Basílica de Fátima está configurada para duas capacidades diferentes: poderá conter 9000 fiéis sentados, com lugares reservados a pessoas com deficiência; mas, para assembleias até 3000 pessoas, o espaço da frente será separado do restante por uma divisória de 2 metros de altura, que se levanta mecanicamente do chão.

Esta capacidade faz da igreja da Santíssima Trindade a maior de Portugal e uma das maiores da Igreja Católica.

O complexo inclui ainda três capelas da Reconciliação, que servirão também para outras celebrações. A “Zona da Reconciliação” é composta por uma área para peregrinos portugueses, com salão-capela de 600 lugares sentados e 32 gabinetes/confessionários, e outra área para peregrinos estrangeiros, com 2 capelas de 120 lugares cada e 32 gabinetes/confessionários.

Patriarca cumpre promessa a Bento XVI

D. José da Cruz Policarpo presidiu à Peregrinação dos 88 anos das Aparições e cumpriu o pedido feito por Bento XVI: confiar nas mãos de Maria o seu pontificado.

“Hoje estou aqui a cumprir uma promessa que fiz a Sua Santidade Bento XVI.

Quando, no final do Conclave, chegou a minha vez de o cumprimentar e jurar-lhe comunhão e obediência, o Santo Padre agarrou-me as mãos e falou-me de Fátima. E eu prometi-lhe, e ele agradeceu-me, que no próximo dia 13 de Maio viria pôr aos pés de Nossa Senhora o seu Pontificado. Aqui estou a cumprir a promessa, não apenas por devoção, mas com grande realismo pastoral, da visão da missão da Igreja no mundo contemporâneo, e peço-vos a todos vós que me acompanheis com fé e amor, neste consagrar a Maria o Pontificado que agora começa. Claro que o nosso coração exultará de alegria, se um dia pudermos renovar esta consagração com a presença física do Santo Padre neste Santuário. Mas não faremos depender disso a nossa oração contínua e a nossa comunhão com ele”, afirmou D. José durante a homilia.

Palmas para João Paulo II

Os milhares de peregrinos receberam com alegria, bem audível numa grande salva de palmas, a informação, transmitida pelo Bispo da Diocese de Leiria-Fátima, que, na manhã do dia 13 de Maio, o Papa Bento XVI, em Roma, anunciara a abertura do processo de beatificação e canonização de João Paulo II, falecido a 2 de Abril de 2005.