A questão é que, por mais que os resultados nos convidem a uma reflexão profunda e à procura conjunta de soluções que abram janelas de esperança aos mais novos, teimamos em “tapar o sol com a peneira”, ocultando ou desviando as atenções da realidade nua e crua dos maus resultados escolares.
Se as negativas a Português – a língua mãe, a chave de comunicação, também para a compreensão das outras áreas curriculares – duplicaram este ano, para quê proclamar solenemente que somos o primeiro país no mundo em que as crianças do 1.º ciclo têm “magalhães”? Que traz isso de solução para o futuro da Educação?
Se o aproveitamento global baixou 1%, para quê minimizar uma descida, quando todos os investimentos justificariam, em verdade, uma subida? Como se explica que seja tão pesado o investimento na escola pública e não se inverta esta situação? Seguramente que não é responsabilidade total, nem sequer a maior, dos docentes.
A superficialidade de desenhos curriculares, a falta de núcleos essenciais em muitas matérias, a diluição da excelência – em nome de uma falsa democratização -, a incompreensível teoria do traumatismo por causa da retenção, os escassos tempos de trabalho, apesar das muitas horas na escola, o divertimento a subir e a invadir todos os momentos e âmbitos da vida da comunidade educativa, a anomia moral – em nome de uma liberdade que é má criação… Tantas coisas que não dependem da docência e que degradam por completo um sistema educativo.
Bem sei que é chover no molhado dizer certas coisas no nosso país. Mas também é certo que “água mole em pedra dura, tanto dá até que a fura”! E nem todos somos depauperados mentais, nem havemos de aguentar sempre as “cangas” que nos queiram pôr em cima. Há-de chegar o momento de muita gente abrir os olhos e dizer: “Basta”!
Basta de mediocridade! Basta de meias verdades! Basta de venda de ilusões fáceis! Trabalho, verdade, transparência – é o que se deseja, é o que se necessita.
