O Pentecostes lança aos cristãos um conjunto de desafios plenamente actuais. Outra coisa não seria de esperar, não fora o Espírito Santo a “alma da Igreja”, que a ilumina e constantemente estimula.
Diria que o primeiro desafio é a coragem. Os Apóstolos estavam fechados, ainda tolhidos pelo medo, apesar das experiências de encontro com o Ressuscitado. Foi aquela “tempestade divina”, de vento forte e de fogo, que fez cair todos os medos, que superou todos os complexos.
Todos os cinco minutos alguém dá a vida por fidelidade a Jesus Cristo. O martírio, testemunho supremo dessa fidelidade, não tem as vestes do passado, o carácter de excepção… É a hipótese normal de quem quer seguir o Mestre: “Quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz e siga-Me”. Se é fácil a nossa “vida cristã”, não estaremos a ser fiéis ao Espírito. Mesmo sem nos trancarmos numa fortaleza que nos preserve, estaremos, seguramente, a esconder-nos por trás do correcto, do conveniente… Coragem é o que nos falta, para nos afirmarmos com coerência em todas as circunstâncias!
Depois, o Espírito multiplica as capacidades, a criatividade da comunicação. Os Apóstolos foram capazes de anunciar a uma pluralidade de línguas e culturas. Todos percebiam o essencial da Mensagem.
Estamos na era da comunicação. Não faltam meios, os mais variados e os mais avançados. E parece que a nossa linguagem, mesmo pelas tecnologias de ponta, não toca o coração das pessoas. Chegam sinais de uma difusão evangélica – é verdade. Mas, daí até à comunicação interpessoal, vai uma grande distância. Não se trata apenas de fazer amigos e de fazer amigos de Jesus Cristo. Trata-se de reconhecer irmãos, trata-se de estabelecer uma relação pessoal com Jesus Cristo, o Primogénito de muitos irmãos.
São Paulo tem a preocupação de nos dizer que o Espírito é a fonte da diversidade e, simultaneamente, da unidade na Igreja. Grande caminho temos a percorrer, para renunciarmos à tentação da uniformidade e nos alegramos com a diversidade. Não simplesmente com uns arremedos de diversidade de ministérios instituídos. Mas com a real capacidade de santificação do mundo nas mais diversas tarefas e compromissos. E sem nos excluirmos uns aos outros, julgando-se quem quer que seja exclusivo. Sem proselitismos em favor de grupos “salvadores”; mas solícitos em nos ajudarmos, todos e cada um, a reconhecer o que é, o que vale, como pode integrar-se, pessoalmente ou em grupo, neste Corpo único, animado pelo mesmo Espírito.
Coragem, comunicação (relação interpessoal), diversidade e unidade – tarefas que configuram um novo impulso de evangelização, não no papel, mas numa dinâmica de vida quotidiana.
