Colaboração dos Leitores No final do século XIII surgiu em Liège, Bélgica, um movimento eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon, fundada em 1124 pelo bispo Albero de Liège. Este movimento deu origem a várias devoções eucarísticas, como por exemplo, a exposição e bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.
Santa Juliana de Mont Cornillon, prioresa da Abadia, foi escolhida por Deus para criar esta Festa. A santa desde jovem teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento e desejava que algum dia houvesse uma festa especial para o Sacramento da Eucaristia. Este desejo, segundo a tradição, foi intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparência de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade.
Juliana comunicou esta visão a D. Roberto de Thorete, bispo de Liège, também a Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos, e a Jacques Pantaleón, que viria a ser o Papa Urbano IV. A festa do Corpus Christi foi decretada em 1264, seis anos após a morte de irmã Juliana, que foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII. A festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte, na quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade.
A este propósito, contamos o que aconteceu certa vez, quando o padre Pedro de Praga celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália. Aconteceu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia. O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, informado do milagre, ordenou ao bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou os fiéis caminhando na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”. Ainda hoje se conservam, em Orvieto, os corporais onde se pousou o cálice e a patena durante a Missa e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue.
O Santo Padre, movido pelo prodígio, e pelo pedido de vários bispos, fez com que se estendesse a festa do Corpus Christi a toda a Igreja, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes (este ano no dia 23 de Junho). Com a morte de Urbano IV a festa não teve grande expansão, mas o assunto foi retomado por Clemente V. Em 1317, a festa é estendida a toda a Igreja.
Uma das manifestações de louvor e honra à Eucaristia é a procissão eucarística, que não é mais do que um preito social que as populações prestam a Deus na Eucaristia. Estas procissões foram enriquecidas com indulgências pelos papas Martinho V e Eugénio IV.
Todos os católicos deveriam participar nessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e as cidades.
Maria Fernanda Barroca
