Sempre a educação

As causas nobres forjam heróis.

Que o diga quem presenciou a coragem e determinação de uma multidão de crianças e jovens estudantes, de pais e professores e assistentes operacionais, que aguardaram, sob chuva torrencial, a chegada do candidato Aníbal Cavaco Silva ao Pavilhão das Feiras, em Aveiro.

“Nós só queremos liberdade de Educação!” – foi o estribilho entoado durante horas. S.O.S. Educação, Liberdade de Aprender… eram estas e outras as expressões que se podiam ler no meio dos manifestantes.

Educadamente, o grupo de representantes fez entrega ao candidato de vários símbolos alusivos à sua causa. Com amabilidade, o prof. Cavaco Silva ouviu-os e disse o que entendeu ser oportuno.

Esta é uma causa que vem movimentando muitos milhares de pessoas, envolvidas também na rede de ensino público, mas cujo serviço é prestado por iniciativa de entidades particulares e cooperativas. O mesmo ensino gratuito que prestam as escolas estatais, que agora se vê num caminho de estrangulamento, porque o Estado se arroga o direito de eliminar a iniciativa da sociedade civil para impor a sua estratégia de dominar todo o mundo da educação.

Esgrimem, o Secretário de Estado e a Ministra da Educação, argumentos falidos e números enganadores para intoxicar a opinião pública, fazendo crer que só a escola estatal garante educação de qualidade e a custos módicos, quando é o inverso: as possibilidades de escolha são sempre um factor de estímulo à qualidade e aos custos controlados.

Com a agravante de ter o Estado a própria Comunicação Social controlada, de modo a omitir ou minimizar estas manifestações que permitem descobrir os jogos encapotados do poder. Mas a verdade é como o azeite: pode tardar, mas virá necessariamente à luz do dia!

Os diplomas recentemente aprovados pelo Governo são um atentado à democracia, são o caminho da estalinização da educação, fazendo do trabalho de milhares de pessoas e durante décadas material descartável, porque já não é necessário. As obras faraónicas da Parque Escolar (cujos negócios e interesses os contribuintes têm o direito de conhecer) são a estratégia de ataque para a liquidação de qualquer opção educativa.

O Povo português é de brandos costumes. Mas a resistência pacífica tem dado provas, também entre nós, de ser capaz de neutralizar o poder. Já o foi na primeira República, no Estado Novo, no PREC…

Mais uma vez ainda há portugueses que se não envergonham da sua identidade nacional, que se não venderam a complexos de modernice importada dos lados de França, que lançam sementes e desenvolvem raízes que germinarão e darão fruto, que contribuirão para uma humanização da sociedade, via indispensável de estabilidade, harmonia e progresso colectivo.