Barra e Porto de Aveiro em exposição no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré

Passou por Aveiro, Figueira da Foz, Salamanca e Madrid. A exposição chega agora à cidade do Porto de Aveiro.

O primeiro aniversário da inauguração do renovado Centro Cultural da Gafanha da Nazaré (CCGN) foi assinalado, no dia 20 de Junho, com a abertura ao público da exposição “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 – 1932, no Arquivo Histórico da Administração do Porto de Aveiro”, mostra apresentada pela primeira vez em Abril de 2008, na galeria da antiga Capitania, em Aveiro, e que nestes três anos efectuou um périplo por algumas cidades portuguesas e espanholas.

Esta exposição é de grande relevância histórica e cultural para a Gafanha da Nazaré, e toda a região, porque narra a evolução da Barra de Aveiro ao longo dos últimos séculos e retrata o desenvolvimento das estruturas portuárias sob a tutela da Administração do Porto de Aveiro (APA), entidade que, juntamente com a Câmara Municipal de Ílhavo, é responsável por esta mostra comissariada Inês Amorim e João Carlos Garcia (professores da Faculdade de Letras da Universidade do Porto) e patrocinada pela empresa Bresfor, instalada na Gafanha da Nazaré.

Na inauguração da exposição, o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Ribau Esteves, recordou que “a Gafanha da Nazaré não nasceu por causa do porto, mas o porto é, desde que surgiu, uma peça importante no desenvolvimento da Gafanha da Nazaré”, destacando de seguida os bons resultados obtidos, nos últimos anos, das parcerias estabelecidas entre a autarquia ilhavense e a APA dando como exemplos a renovação do Jardim Oudinot, a terceira fase da via da cintura portuária, o acesso ferroviário ao porto, entre outros, garantindo que esse trabalho em conjunto deve prosseguir em prol do bem comum, até porque “arquivámos o tempo dos conflitos permanentes entre a APA e a Câmara”.

“Finalmente, a exposição está na cidade do porto”, sublinhou, com agrado, o presidente da APA, José Luís Cacho, que referiu um pouco do périplo ibérico desta exposição, que já passou também por Salamanca, Madrid, Figueira da Foz, Estarreja, entre outras terras de Portugal e Espanha, sempre com grande sucesso na promoção do Porto de Aveiro e da sua região, incluindo ao nível económico como potenciadora de negócios.

Inês Amorim afirmou que esta exposição revela ao público somente um ínfima parte do espólio documental do Arquivo Histórico do Porto de Aveiro, arquivo esse que é, em sua opinião, “resultado de séculos de manutenção de uma memória” que ajuda a compreender o passado e a projectar o futuro, a qual é a história de um porto com uma especificidade única, porque, disse, “é um porto sem cidade”, ou seja, surgiu e desenvolveu-se sem estar integrada na área urbana de uma cidade já existente.

Para Inês Amorim, autora de vários trabalhos sobre a evolução histórica da região de Aveiro, esta exposição integra peças únicas, e outras raríssimas, que apesar de serem instrumentos de trabalho (como os mapas e as cartas tipográficas) são simultaneamente objectos artísticos e mostram a “extraordinária evolução tecnológica” motivada pelas especificidades da Ria de Aveiro, da abertura da Barra de Aveiro e na instalação e desenvolvimento das infra-estruturas portuárias aveirenses.

Cardoso Ferreira