Férias

O tempo de verão encaminha-se para o fim. Caracteriza-se, habitualmente, por uma movimentação desusada das populações. Muita gente, graças a Deus, consegue um tempo de pausa nas suas ocupações habituais, para refazer energias, fazer experiência de outros ambientes e actividades… São as férias!

Há sempre uns bafejados da sorte que as têm de qualquer modo. Outros têm de calcular muito bem as suas possibilidades e, porventura, o que fica pendente da suspensão da sua actividade. Outros ainda partem esmagados pela angústia de não voltar a encontrar o seu posto de trabalho. E continuam a ser bastantes os que nunca puderam imaginar uns dias de descanso!… É assim este mundo injusto, enquanto não formos capazes de nos reconhecermos como iguais em direitos e deveres.

Encanta ouvir dezenas, centenas ou milhares de vozes, dos mais diferentes tons, das mais diversas idades, falarem entusiasmadas dos seus projectos de voluntariado, dando a esse tempo de lazer uma dimensão de verdadeira fraternidade cristã ou um horizonte filantrópico. E aí vão, pelo País fora ou pelo mundo além, dar uns dias, umas semanas de trabalho, para tornar outros mais felizes. Voltam, normalmente, repetindo um refrão: “partimos para dar alguma coisa e nós é que regressamos enriquecidos com aquilo que vivemos”.

É uma realidade crescente esta do voluntariado social, missionário, educativo… E de consequências surpreendentes. Podemos dizer, por exemplo, que, em muitas circunstâncias, essa experiência foi o momento de espevitar um rumo vocacional latente, que se manifestou e decidiu o futuro.

Não nos lamentemos pelos que delapidam essa ocasião de repouso em futilidades ou mesmo experiências perversas. Sabemos como a publicidade e o vício do consumismo arrastam tanta gente para fazer deste tempo um vazio de sentido, uma ocasião de ruína económica, um princípio de degradação moral.

Demos força aos que remam contra a maré. Engrossemos o caudal daqueles que trazem um brilho novo à vida, que chegam à felicidade pelo dom de si aos outros.

No início do Verão, o Papa, falando sobre as férias, deu algumas indicações gerais preciosas. Convidou-nos “a utilizar estes dias para viver de uma maneira nova as relações com os demais e com Deus. Se se pode interromper o ritmo quotidiano frenético e cansativo, é bom tomar um pouco de tempo para os demais e para o Senhor”. Aí está um “roteiro” simples e, seguramente, compensador.

Depois, o Santo Padre sugeriu-nos ainda: contemplar, admirar a beleza da criação, maravilhar-se e pressentir nela “a presença e a grandeza do Criador”. Sem deixar de reco-mendar que aproveitemos esse tempo para prestar atenção, ir à procura, esforçarmo-nos por conhecer e reconhecer o abundante património cultural e espiritual, pelo qual podere-mos perceber melhor as nossas raízes.

Nada que não soubéssemos. Mas foi bom Bento XVI recordar-nos!