Ponta de Lança Em aniversário do nosso Reconhecimento – somo-lo de facto, e como que por direito internacional ao tempo, desde a Manifestis probatum, a bula emitida pelo Papa Alexandre III, em 23 de Maio 1179 – o último fim-de-semana cumpriu mais uma síntese do que pode ser característico do nosso sincretismo existencial como povo, isto é, a miscelânea de carácteres, fruto da diversidade das nossas proveniências e influências culturais (fenícia, celta, romana, judia, cristã, árabe,… africana): ousados, generosos, inconsequentes, apáticos!
À ousadia (o que conjuga talento, eficácia, eficiência e resultados imediatos). Não faltam relatos do nosso atrevimento no acervo da história. Agora reconheçamos que o mais mediático é José Mourinho – o Vasco da Gama de XXI.
É verdade, e é imperioso, portanto, reconhecê-lo, que em cada área de acção e desenvolvimento sócio-económico, não faltam exemplos de grande ousadia. Mas o poder do mundo reconhece de imediato quem se apresenta como ganhador, determinado e vitorioso. Não há tempo para dar tempo. Ou é ganhador ou é perdedor. E Mourinho é ganhador. Tem tudo para ser uma bandeira, ou um padrão, a ultrapassar o Cabo das Tormentas (se lá fosse!), lá na ponta sul da África.
À generosidade (a sensibilidade emocionada, o abraço de causas). Os milhares de portugueses que foram até à Covilhã com o intuito de expressar apoio a uns tantos rapazes que vão à África do Sul jogar futebol.
Pessoas anónimas no todo nacional mas que são a base de construção de um país, de um projecto, de qualquer coisa. Tiram o dia para que as vedetas sintam que representam muito mais do que valem. Isto é, tudo o que podem fazer nos chutos a uma bola ultrapassa a dimensão do desempenho individual ou dos prémios a receber.
À inconsequência (confiar no previsível como se não houvesse imprevisibilidades). A Federação Portuguesa de Futebol e todo o gabinete técnico que, de forma despudorada, não atenderam à generosidade dos apoios.
Domingo à tarde, treino aberto ao público,… o que é que se esperava?! Invasão pela certa. E ainda bem, ou não?
Se calhar… ainda mal – pensarão e demonstram-no alguns iluminados: “que chatice aqueles portugueses!” Não são sponsors, não é?
“Quê? Não ouvi assobios nenhuns”- Hugo Almeida. “Estamos aqui para preparar o mundial” – Carlos Queirós.
Quem são estes extraterrestres que gozam na cara das pessoas?! Haja um aceno de simpatia. Dêem-se ao respeito, senhores!
À apatia (fiuuuuuu). Por aqui nos ficamos. Assobia-se e pronto!
Até em tempo de grave crise, alguns membros do Executivo evocam este passado de apatia para assegurar que pode-se malhar forte em cima dos portugueses que eles não se mexem?!
Está tudo dito!
Como vai longe 1179!?
Volta, Afonso (Henriques), até contra a tua própria mãe te ergueste!
Desportivamente…
…pelo desporto!
