No mês do rosário

Outubro, na Igreja, é o mês das missões e também do rosário. A revista “Mensageiro do Coração de Jesus”, dos padres jesuítas portugueses, dedicou ao rosário várias páginas da edição de Outubro. Com o devido agradecimento, o Correio do Vouga recolhe algumas afirmações que podem ajudar a aprofundar esta forma de oração.

O rosário é uma oração maravilhosa, que nos leva a unir Jesus e seus mistérios com Maria, sua e nossa Mãe, também com seus mistérios. Eminentemente cristológico, o rosário ajuda-nos a rezar, a contemplar, a meditar os mistérios de Cristo e a fazê-lo com Maria, a mestra da oração, a Virgem dedicada à oração, como Lhe chamou o Papa Paulo VI. Com Maria a Jesus e com Ele à Trindade.

Dário Pedroso

É claro que, ao surgir como substituto popular de uma oração mais complexa (mais intelectual, poderíamos dizer), o rosário assumiu, muito claramente, orientação mariana. Maria, a mulher do povo que, na história da salvação, representa a humanidade simples de todos nós, passou a constituir o ponto orientador desta oração. Contudo, de um modo muito equilibrado, sem substituir a figura de Maria à centralidade da acção de Jesus e sem a desenquadrar da acção salvífica, presente através precisamente da referência aos mistérios. Nesse sentido, pode-se considerar a oração do rosário – mais até do que outras orações marianas populares, às vezes a rondar a quase «divinização» de Maria, para além de frequentemente muito sentimentalistas – como uma das orações populares mais equilibradas e completas. (…)

Tendo o rosário surgido para o povo cristão simples, sobretudo para os que não tinham capacidade de ler – que era a maioria, na altura – hoje em dia é, na sua beleza e riqueza próprias, assumido também pelos «intelectuais» cristãos, mesmo que possuam claras condições para a recitação diária dos salmos, e o façam realmente. O que significa que, na sua riqueza e nas suas características próprias, a riqueza simples desta oração acabou por conquistar todo o povo cristão, unindo-o num caminho comum, independentemente das diferenças de formação existentes. (…)

Talvez o rosário possa ser um excelente desafio ao orgulho dos nossos contemporâneos. E é perante esses desafios que se mede a grandeza da humanidade de cada um.

João Duque

Há muitas razões que levam muitos cristãos a rezar o rosário, e de modo particular o terço do rosário. Há também motivos abundantes que levam grande número de cristãos a abandonar este modo de orar, havendo até muitos que nem sequer o sabem fazer. Pode-se rezar o terço por hábito (o que e mau em si mesmo), por necessidade (em horas de aflição), por devoção a Nossa Senhora, porque não se sabe rezar de outro modo… Pode-se abandonar esta oração por preconceito (uma oração antiga e ultrapassada), por displicência (a oração não é importante), por desejo de novidade (o terço é sempre a mesma coisa), com argumentos teológicos (há que centrar-se em Cristo e não nas devoções marianas), por falta de disponibilidade (o terço leva o seu tempo e é cada vez mais difícil encontrar tempo para a oração). Seja qual for o caso, é bom que quem reza conheça o que reza, para rezar mais e melhor; e que quem não reza saiba o que perde, para eventualmente recuperar o perdido.

Elias Couto

Rezar o rosário não é, nem pode ser, uma repetição «quase mecânica» de uma sequência de vários Pai-Nossos, Avé-Marias e Glórias. Quando rezamos, devemos interiorizar o seu verdadeiro significado e importância, a mensagem que o mesmo encerra e o significado de cada uma das orações que o compõem. Importa, também, meditar devidamente os mistérios propostos, interiorizando o seu significado.

Cláudia Pereira

Rezar o rosário pelos outros é maneira fecunda de exercer uma acção apostólica forte, frutuosa, que alcançará dons e graças para todos, através do Coração da Mãe e de seu Filho, o Mediador Universal. Os testemunhos que nos chegam, são aos milhares. O rosário alcançou o dom de conversões, de união de famílias, de êxito pastoral, de solução divina para situações dolorosas, de curas, de paz para moribundos, etc., etc. Como afirmou o Papa João Paulo II, «meditar com o rosário, significa entregar os nossos cuidados aos Corações misericordiosos de Cristo e de sua Mãe». Por isso, a oração do rosário nos alcança tanto dom e tanta graça. Entregamos tudo e todos aos Corações que mais nos amam.

Dário Pedroso