Papa deixa África com apelos ao diálogo

Visita de três dias, a segunda a África, marcada pela entrega de exortação apostólica aos bispos do continente para transformar dinâmica da Igreja.

Bento XVI deixou o Benim no domingo, após uma viagem iniciada sexta-feira, com um apelo à “coexistência harmoniosa no seio da nação e entre a Igreja e o Estado”. “A boa vontade e o respeito mútuo não só favorecem o diálogo, mas são essenciais para construir a unidade entre as pessoas, as etnias e os povos”, disse, numa mensagem que se dirigida a toda a África.

No aeroporto internacional de Cotonou, onde foi saudado pelas autoridades locais, o Papa agradeceu o “caloroso entusiasmo” com que foi recebido no país, uma constante ao longo dos vários encontros e celebrações a que presidiu, nesta cidade e em Ajudá, a 40 km de distância, no litoral deste país da África ocidental.

“Viver juntos como irmãos, apesar das legítimas diferenças, não é uma utopia. Porque é que um país africano não poderia apontar ao resto do mundo a estrada a seguir para se viver uma autêntica fraternidade na justiça, fundada na grandeza da família e do trabalho”, questionou.

Após a viagem realizada aos Camarões e Angola, em 2009, Bento XVI disse ter querido “uma vez mais o continente africano” por estar “convencido de que é uma terra de esperança”.

“Aqui encontram-se valores autênticos, capazes de servir de inspiração para o mundo, que nada mais pedem senão poder desenvolver-se com a ajuda de Deus e a determinação dos africanos”, precisou.

Durante a esta 22.ª viagem apostólica, na qual falou várias vezes em português, o Papa assinou e entregou aos bispos africanos a exortação apostólica pós-sinodal “Africae munus”, “O serviço de África”, sublinhando “as perspectivas pastorais que abre e as interessantes iniciativas que há de suscitar”.

O documento denuncia novas formas de “escravatura”, considera a SIDA como um problema ético e apela à intervenção da Igreja nos processos de consolidação da democracia e da paz, para além de estimular uma “nova evangelização” em África, apresentada como “um dos pulmões espirituais” do planeta.

“Que os africanos possam viver reconciliados na paz e na justiça. Tais são os votos que formulo, com confiada esperança, antes de deixar o Benim e o continente africano”, disse Bento XVI.

Bento XVI encontrou-se com líderes políticos e religiosos, com os bispos do Benim e de toda a África, para além de ter visitado o túmulo do cardeal Bernardin Gantin (1922-2008), seu amigo e primeiro africano a liderar um dicastério da Cúria Romana, bem como um lar das Missionárias da Caridade (congregação fundada por Madre Teresa de Calcutá) que acolhe crianças doentes e abandonadas.

Ag. Ecclesia