A diabetes tem um impacto relevante na saúde das populações. Em Portugal, cerca de um milhão de pessoas tem diabetes.Há grupos de risco com fortes probabilidades de se tornarem diabéticos, nomeadamente as pessoas com familiares directos com diabetes e as pessoas obesas. No entanto, esta é uma doença que cresce em todo o mundo e atinge idades cada vez mais jovens. Texto de José Carlos A. Costa
A diabetes é uma anomalia relacionada com o aumento da glicose no sangue. É uma doença de natureza endócrina, normalmente congénita e com manifestações crónicas. A diabetes pode também ser adquirida através dos hábitos alimentares nocivos. Caracteriza-se pelo aumento dos níveis de açúcar (glicose) no sangue e pela incapacidade do organismo em transformar toda a glicose acumulada. Quando os níveis de glicose sobem provocam hiperglicemia, quando descem demasiado causam hipoglicemia. Ambas as situações devem ser evitadas, porque podem levar à morte. A quantidade de glicose no sangue deve ser inferior a 90 miligramas por decilitro. Se for superior a 120, exige-se aconselhamento médico e alteração nos hábitos alimentares, principalmente corte do açúcar e redução dos alimentos mais calóricos. Contudo, será o médico que, de acordo com factores como a idade, tipo de vida, actividade e existência de outras doenças, definirá quais os valores de glicemia que o doente deverá ter em jejum e depois das refeições. É de salientar que os valores do açúcar no sangue variam ao longo do dia, motivo pelo qual se fala em limites mínimos e limites máximos para cada pessoa, tendo em conta os seus contextos.
Diabetes de tipo I e tipo II
Existem dois tipos de diabetes mais popularmente conhecidos: diabetes de tipo I (um) e diabetes de tipo II (dois). Há diferença entre eles. Quando é identificado a diabetes de tipo I numa pessoa, significa que ocorreu falência do pâncreas. Equivale a dizer que o pâncreas deixou de produzir a insulina (substancia imprescindível para a conversão dos açúcares pelas células). Quando o pâncreas deixa de exercer a sua principal função (produzir insulina) não existe outra alternativa senão aplicar uma terapêutica de substituição insulínica. As pessoas com diabetes de tipo I necessitarão de fornecer ao organismo a insulina de que precisam, de acordo com o plano terapêutico do seu médico, ocorrência comum nas crianças e jovens com diabetes deste tipo. Sendo a diabetes de tipo I uma doença geralmente crónica e irreversível, o tratamento será assumido ao longo de toda a vida.
Quando é diagnosticada uma situação de diabetes de tipo II, equivale a dizer que se está perante uma doença metabólica aguda, onde ocorreu uma alteração ocasional no metabolismo e espera-se que seja uma situação temporária e reversível. Muitas vezes é provocada por uma sobrecarga de alimentos excessivamente calóricos e de elevados teores de açúcar no organismo. Normalmente estas pessoas não precisam de compensação, nem de substituição insulínica, somente precisarão de mudar os hábitos alimentares e aumentar a actividade física diária.
Tratamento
O tratamento da diabetes é possível e consiste em manter o açúcar (glicose) no sangue o mais próximo possível dos valores considerados normais (bom controlo da diabetes) para que as pessoas portadoras de diabetes se sintam bem e sem nenhum sintoma da doença. Serve ainda para prevenir o desenvolvimento das manifestações tardias da doença e ainda para diminuir o risco das descompensações agudas, nomeadamente da cetoacidose, provocada pelo excesso de corpos cetónicos no organismo. Os corpos cetónicos são substâncias que acidificam o sangue e podem conduzir ao coma cetoacidótico, colocando a vida do doente em risco. Seguindo uma alimentação correcta e adequada, praticando exercício físico diário e respeitando a terapia indicada pelo médico, uma pessoa com diabetes garante a diminuição do risco de tromboses e ataques cardíacos e a prevenção de doenças nos olhos e nos rins, assim como da má circulação nas pernas e nos pés.
Cuidados a ter
Uma alimentação saudável e a prática de exercício físico diário podem evitar o aparecimento da doença e/ou ajudá-la a tratar. Como a diabetes está relacionada com o açúcar, a alimentação mais ajustada às necessidades da pessoa com diabetes é a designada dieta hipoglicemiante, isenta de açúcar e de alimentos que o possam conter, nomeadamente os doces, bolos, cremes e outras guloseimas, incluindo as bebidas com adoçantes. A maioria dos alimentos tem açúcar ou substâncias que o potenciam, pelo seu elevado valor calórico, o caso do pão, das farinhas, da batata, do arroz, das gorduras e até a fruta, devido à presença da frutose. Os vegetais são isentos de calorias. Por isso, devem constituir a primeira opção para a elaboração das refeições da pessoa com diabetes. É regra que a pessoa diabética coma pouco de cada vez e regularmente.
Alguns sintomas da diabetes
Aumento do número de micções e maior quantidade de urina, especialmente durante a noite (poliúria); sede constante e intensa (polidipsia); apetite constante e insaciável (polifagia), fadiga, visão turva e prurido (comichão) no corpo. Nas crianças e jovens pode manifestar-se através de emagrecimento repentino, dores musculares, dores de cabeça e náuseas. A avaliação, controlo e acompanhamento deve ser feito por um médico, em quem a pessoa com diabetes deve confiar e cooperar. A melhor forma de fazer a avaliação é através de análises ao sangue e à urina.
O que é a insulina?
A insulina é uma hormona segregada pelas células do pâncreas, imprescindível na assimilação do açúcar/glicose no organismo humano. Sem insulina não se pode viver. A ausência de insulina no organismo provoca diabetes. O aumento exagerado de açúcar no sangue pode causar danos irreparáveis no sistema vascular e na visão. Por isso, não se deve negligenciar o seu tratamento, nem recusar o uso de boas práticas alimentares e a adopção de estilos de vida saudáveis. Actualmente, é possível controlar a diabetes de tipo I e solucionar a do tipo II.
