Dúvidas e confusões

As notícias destes dias repetiram intensamente o refrão de ligações entre Serviços Secretos, dirigentes políticos, agentes económicos… Meias palavras, afirmações duvidosas, “nem confirma nem desmente”… E o grande público fica perplexo, interroga-se de que modo é que tudo isto pode ser um polvo envolvente da complexidade da difícil situação do país, pergunta-se se não andamos a ser levados por toda esta teia de relações.

O tempo de crise é propício à proliferação de boatos, insinuações, jogos ocultos, suspeitas. Nada disso favorece a confiança e o entusiasmo para encarar de frente as dificuldades e darmos todos o nosso melhor para reabrir janelas de otimismo realista, para arregaçar as mangas e deitar mãos à obra de recuperação nacional.

Precisamos de estar todos unidos. Mas é fundamental que a transparência seja regra comum da vida nacional, da relação institucional entre os órgãos de soberania, do contributo partidário para a consolidação e avanço da democracia. Todavia, a sombra que paira sobre as nossas cabeças é a dúvida, a confusão; é o denso nevoeiro do secretismo sectarista e intriguista, que gera suspeitas em catadupa.

Quando leio: “A segurança dos cidadãos e o poder do Estado dependem dos seus serviços secretos”, não posso deixar de ficar preocupado com o que se disse e escreveu por estes dias. Afinal, em quem podemos confiar? Sobretudo porque, nesta “dança” de notícias e boatos, entra a Maçonaria.

Após a leitura de “Eu Fui Maçom”, de Maurice Caillet, que, depois de quinze anos dentro dessa organização, ousa contar o que os outros calam, dissiparam-se-me as dúvidas acerca do enredo, do labirinto em que se movem os seus membros, “o que fazem para se proteger e se ajudar uns aos outros, como influenciam os meandros políticos e económicos, como se relacionam com o poder”, como se dão as mãos para o controle dos centros de decisão de toda a actividade de um país, semeando sorrisos e promessas aos demais, mas deixando-os sempre nos corredores da dúvida e da confusão, conducentes, por norma, a esperanças frustradas.

Alguém será capaz de contar o que tantos calam e ocultam, para bem do nosso futuro, para que se respire, de uma vez por todas, ar puro, para que se viva a limpidez de uma manhã de sol? Será difícil. Mas haverá, por certo, alguém que o poderá fazer. E a Pátria não deixaria de lho agradecer.