Na festa de S. Gonçalinho

Painel Anabela Figueiredo

Aveiro. (Lançadora de cavacas)

Vou atirar dez quilos de cavacas para pagar uma promessa. Prometi que enquanto fosse viva viria aqui lançar dez quilos delas. Todos os anos. Não posso dizer o que pedi a S. Gonçalinho. Promessa é promessa. Ele ouviu-me. Eu lanço tudo de uma vez. Penso que alguns distribuem as cavacas pelos vários dias, mas eu lanço tudo num dia.

José Madaíl

Aveiro. Mordomo de S. Gonçalinho. (Controlava o acesso ao alto da capela)

Já fui mordomo três vezes, dois anos de cada vez. Agora vou fazer uma pausa. Gosto de ser mordomo porque nasci e moro neste bairro da Beira Mar e o S. Gonçalinho tem-me ajudado bastante em algumas dificuldades da vida. Faço isto com muita alegria e devoção.

Manuel Gamelas

Cacia. (Apanhador de cavacas)

Já apanhei uns 20 quilos, só hoje [sábado, 7 de Janeiro]. É uma tradição. Venho aqui desde pequeno. Agora venho com o meu neto. Está a ver aquele painel de azulejos [do S. Gonçalinho, na fachada da Capela]? Foi feito pelo Manuel Fernandes da Silva. Era meu tio.

Enquanto houver cavacas venho cá. Para que jornal é? O Correio do Vouga?! O meu falecido pai era assinante. Quando eu estive na Guiné [no serviço militar], o meu pai mandava-me o jornal todas as semanas.