Maria da Glória Martins de Pinho 1928-2012 Deus foi servido de chamar à sua divina presença, no passado dia 14 de janeiro, depois de 83 anos de vida, Maria da Glória Martins de Pinho, mais conhecida por “Menina Glória”, como era tratada nesta vila de Sever do Vouga.
Depois da ordenação do irmão, o falecido Padre Joaquim Martins de Pinho, e desde que este passou a paroquiar diversas freguesias, nunca mais o abandonou. Deixou a restante família e a sua terra natal e sempre o acompanhou e auxiliou no seu múnus pastoral.
Lembro-me de todas as vezes que eu ia à Missa da manhã, às 7 horas de domingo, lá estava ela a alegrar a celebração cantando.
Enquanto pôde, e foram mais de 40 anos, teve a seu cargo a ornamentação e a limpeza da Igreja Matriz de Sever do Vouga. Serviu e confecionou na residência paroquial muitas e muitas refeições a bispos e padres.
No passado domingo [15 de janeiro], pelas 08h30, o seu corpo foi levantado da Capela de São Brás, onde estava em câmara ardente, para estar às 09h00, na Igreja de Dornelas para uma simples celebração da Palavra, presidida unicamente pelo pároco da freguesia, finda a qual foi a inumar em jazigo da família.
Sei que o funeral coincidiu com o domingo e que deveria haver celebrações, leilões ou outros serviços mais importantes. Mas ao acompanhar a Menina Glória à sua última morada fiquei triste, desalentado, perturbado e amargurado ao assistir ao funeral de uma pessoa que tanto trabalhou para a Igreja e foi quase esquecida.
Para os que não creem, um funeral é apenas e só entregar a terra à terra, o pó ao pó ou a cinza à cinza (se for cremado); mas para os crentes, “a vida não acaba, apenas se transforma”, e um funeral deverá ser algo mais, além de ser uma obra de misericórdia, lembremo-nos do que nos dizia S. Paulo na Eucaristia neste domingo (15): “O vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus (l Cor 6,19).
Não desejo fazer comparações e também não pensava em assistir a um funeral com celebrações das exéquias “presididas pelo Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, acompanhado por mais de seis dezenas de sacerdotes”, como li no Correio do Vouga de 4 de janeiro [relativamente ao funeral de um diácono permanente], mas gostaria de ver um representante do nosso Bispo e também algum sacerdote da diocese que ainda se lembrasse do Padre Pinho e desejasse fazer uma homenagem à irmã, com a sua presença.
Creio, no entanto, não ser injusto ao afirmar que a Menina Glória merecia um funeral a outra hora, mais digno e mais concorrido, porque ela entregou a sua vida à Igreja e a Jesus Cristo.
Por tudo o que a Menina Glória fez e trabalhou pela Igreja e pela paróquia de Sever do Vouga, o meu simples mas sentido muito obrigado e que o Senhor já lhe tenha dito: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo” (Mt 25, 34).
Américo Pinto Leitão,
Sever do Vouga
