O porquê da novidade

Justiça e Paz P.e PEDRO JOSÉ LOPES CORREIA

Comissão Diocesana Justiça e Paz – Aveiro

Até quando se podem desejar Votos de Bom Ano? Haverá um prazo. A bondade dos nossos desejos, planos, e sobretudo, a mudança de atitudes, ultrapassam os dias do calendário. Quando se fala em «Ano Novo, Vida Nova», não queremos apenas o virar da página. Desejamos interiormente que o nosso presente nos empurre na direcção da Felicidade. Que atitudes devemos repensar neste ano que se inicia, escurecido por tantos prognósticos assustadores?

• Ter uma ideia o mais clara possível sobre a maneira como precisamos viver. O modo novo de fazer as coisas de sempre. O tormento diante da dívida não nos paralisa. Pior do que ter dívida é não pretender saldá-la, isto é, pagá-la até ao último cêntimo. Esta prioridade não é delegável. Todos gastamos, direta ou indiretamente. Todos devemos contribuir para pagar, brevemente, direta ou indiretamente.

• Não grite ou insulte ninguém. A não ser que a casa esteja arder de verdade ou o «insulto» seja a única forma com sanidade para iniciar o diálogo. Grite com dignidade e não faça denúncias indignas de si, para com o próximo. O telhado é feito de telhas. Os ossos não são imunes às fraturas. As palavras cortam e o silêncio também. Só as obras abrem Caminho.

• No meio da balbúrdia é possível agir com responsabilidade. Perder agora pode significar ganhar mais tarde. E ganhar não significa necessariamente lucro imediato. O importante na vida não é cair, o importante é levantar-se de cada vez.

• Jamais se sinta obrigado a que um pedido razoável tenha de ser manifesto mais de duas vezes. Apoie de coração o que é absolutamente necessário fazer. Evite a fome. Evite a mentira. Evite a inveja. Se tem de ser feito; então, suje as mãos, e ajude a fazer.

• Nada é impossível (contando com Deus!). Temos de reaprender a adaptarmo-nos às diferentes circunstâncias, riscos e adversidades. Não deixe que nenhuma mágoa ou erro cometido fique sem ser confessado e perdoado.

• Trabalhar sempre em equipa não é problema. A solução passa pela análise dos resultados negativos. Frutos fora da estação significam maior cuidado, nunca o voltar as costas. Fecha-se uma porta, abre-se uma janela (imagine outras possibilidades). A motivação fortalece-se em paralelo com a nossa capacidade de mostrar o bem.

• Procurar o esforço máximo diante da virtude mínima. A cada contribuinte o seu valor. A cada rosto o seu sorriso. A cada lar a sua harmonia. Não separe as palavras dos exemplos. Na dúvida os exemplos clarificam as palavras.

• Perca tempo com as pessoas. Perca o seu apego ao dinheiro. Perca o autoengano da «esperteza». Aumente a lealdade para com os amigos e conhecidos. Aumente a generosidade apesar dos sacrifícios. Aumente a autoestima com «inteligência».

• Viva com o dom do equilíbrio dos contrários. Falar ouvindo primeiro. Olhar para dentro e não apenas por fora. Ler, visitar e ajudar, de preferência: a ouvir dizer…; impossível ir lá neste horário…; não sei o que fazer… Rezar, estudar e trabalhar.

• Ser português não é obstáculo. Ser português não é desvantagem. Ser português é importante. Não adianta só comprar o que é português. Adianta, sobretudo, vender bem “o ser português”. Só nós temos um Clima, uma História e uma Língua…, absolutamente singulares. Temos o que somos. Somos o que temos. Só isso deve importar.