A polémica continua. As intenções do (des)governo do nosso País tornam-se cada vez mais patentes, mesmo que revestidas de suportes ditos científicos.
Não é por acaso que se alvitra a construção de um espaço escolar de 10 milhões (no final haverá que contar com a derrapagem, porque os pisos nos quais se move o tal desgoverno em Portugal estão muito gastos!). Não é fortuita a omissão, no tal estudo científico, do número de alunos com necessidades educativas especiais – NEE, que são 17, apenas constando 1 no relatório. Não é inocente o atropelo da Carta Educativa concelhia. Não é de boa fé a passagem ao lado da norma que diz não ser de ter em conta a área de influência para a inscrição no Secundário… Um rol de falhas, que bem exprimem a falta de isenção de um estudo encomendado, evocado como suporte científico para desencadear ataques cirúrgicos de cariz ideológico!
Os cristãos não podem alhear-se destes atropelos aos direitos e responsabilidades familiares, aos direitos inatos da pessoa humana. O Vaticano II recordou-nos princípios irrenunciáveis, que não podem deixar de estar no alicerce da militância cristã. A fé tem de projectar-se nas atitudes quotidianas dos discípulos de Jesus Cristo, no terreno em que se movem, seja o mundo do trabalho, seja o da saúde, seja o da educação ou do lazer… Cristão é-se 24 por dia, em todas as frentes, mesmo que, para defender essa identidade, seja necessário descer à rua!
Sobre este problema da Educação, a respectiva Declaração conciliar (“Dignitatis Humanae”) não deixa margem para hesitações: “a autoridade civil deve reconhecer aos pais o direito de escolher com verdadeira liberdade as escolas, ou outros meios de educação, sem impor-lhes, nem directa nem indirectamente, injustos encargos por causa desta livre escolha” – DH, 5.
E completa ainda o pensamento: “O monopólio do ensino vai contra os direitos inatos da pessoa humana, contra o progresso e divulgação da cultura, contra o convívio pacífico dos cidadãos, e contra o pluralismo em vigor nas sociedades de hoje” – DH, 6.
Há já muito que sentíamos esta hostilidade subtil a tudo o que seja iniciativa que não a estatal, sobretudo quando se trata de afirmar os valores cristãos com direito de cidadania. Se dúvidas subsistissem, o recente bloqueio do Governo Português à aprovação de uma resolução europeia de condenação à perseguição anti-cristã verificada em muitos países do Mundo dissipou todas essas dúvidas.
Quando se trata de apoiar – e bem! – o direito à indignação de povos sob regimes totalitários, os nossos governantes vestem solenemente a capa da democracia. Mas esta clara violação de direitos fundamentais e inalienáveis da pessoa humana, num País dito democrático, não confere direito a manifestar essa indignação. E muito menos se reconhece que este é um caminho perverso! Pelo contrário: o poder, manipulando os meios de informação, continua a intoxicar a opinião pública com números mentirosos!
Com alguma razão dizia uma autorizada voz da matemática, um destes dias, em público, à senhora Ministra da Educação que os números do seu Ministério não eram credíveis, que é dessa área do Governo que o Instituto Nacional de Estatística não consegue nunca indicadores atempados, fiáveis e consistentes. Está tudo dito!
