Peixe deitado à água

Colaboração dos Leitores A história passa-se numa pequena povoação algures. Uma família tinha uma casa de campo nos arredores da cidade onde vivia e sempre que podiam iam para lá passar os fins-de-semana.

O pai o filho de dez anos gostavam muito de ir à pesca num lago próximo da casa. Certo dia, 24 horas antes de abrir a época da pesca, muito cedo, foram para a margem do lago.

O pequeno mal chegou, preparou a cana e o isco e lançou à água o anzol. Poucos minutos passados sentiu um esticão e radiante disse ao pai:

– Deve ser um grande peixe. Assim aconteceu e o próprio pai confessava nunca ter visto, naquele lago, um peixe tão grande e tão bonito.

– Temos de o devolver à água, porque estamos a fazer uma pescaria ilegal – a época só abre às 0 horas de amanhã.

– Mas pai, diz o pequeno, nunca mais na vida vou apanhar um peixe assim…

– Talvez seja verdade, mas temos de o devolver ao lago.

– Mas pai, não está aqui ninguém para ver…

Então o pai disse-lhe: Filho pelo facto de ninguém ver, uma acção ilícita não deixa de o ser. A Ética é uma questão de CERTO ou ERRADO. Ficar com o peixe é errado, mesmo que ninguém veja; o certo é fazer o que está certo, mesmo que também ninguém veja. A Ética não é uma questão de espectáculo.

O pequeno resignado deitou o peixe à água, e este abanando com força as barbatanas, afastou-se rapidamente.

Passaram-se anos; o pequeno cresceu, fez-se homem; continuou a gostar de pescar, mas de facto nunca mais apanhou um peixe semelhante àquele a que tinha renunciado.

Mas a lição ficou e serviu-lhe de guia para as decisões na vida – o que conta é a Ética das decisões, mesmo sem espectadores. Há sempre algo que fica em paz – a consciência.

Maria Fernanda Barroca