Se vai à tertúlia do ISCRA, leve uma embalagem de leite em pó ou de farinha láctea para as crianças de São Tomé, sugere o frade franciscano.
Frei Fernando Ventura, frade capuchinho que se tem destacado como comentador televisivo de grande contundência e coautor, com o jornalista da SIC Joaquim Franco, do livro “Fé solitária ou fé solidária?”, é o próximo convidado das “tertúlias à quarta”, no dia 7 de março, às 21h, no CUFC.
Como compensação pela vinda a Aveiro, até porque o tema é precisamente “Fé solitária ou fé solidária”, o conferencista pede que cada participante pague o seu «bilhete» com “uma embalagem de leite em pó ou de farinha láctea para crianças”. As dádivas terão como destino o “Banco de leite”, com delegações em Lisboa e Porto, recentemente criado a favor das crianças de São Tomé e Príncipe.
Em declarações à Agência Ecclesia, o frade capuchinho disse que a ideia do «Banco de leite» nasceu de uma “simples conversa”, há cerca de um mês, com o bispo da antiga colónia portuguesa, D. Manuel dos Santos. O país encontra-se abandonado pelas agências internacionais, valendo apenas a “cooperação portuguesa e a Igreja Católica”, que “estão a dar as respostas possíveis num quadro de miséria confrangedora”. São Tomé e Príncipe “ainda não está a despertar grandes apetências, se bem que tenha petróleo, um isco para os tubarões”, afirma.
Em carta dirigida ao ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosas), que organiza a tertúlia, Frei Ventura disse que nas muitas viagens que tem feito, e que passaram pela lixeira de Maputo, pelos bairros de lata de Bombaím e pelos arredores de Luanda, nunca se tinha encontrado “numa situação tão aflitiva” como a que encontrou em S. Tomé, pelo que propõe que quem vai assistir à tertúlia seja solidário. Notando que há imensos espetáculos esgotados com antecedência e cujos bilhetes não são nada baratos, Frei Ventura sugere: “Longe de mim comparar-me com qualquer estrela do Olimpo dos nomes sonantes da música e do espetáculo, mas se as pessoas pagam aquelas enormidades por um bilhete, porque não fazerem um «pagamento» solidário, quanto mais se o tema do «concerto» é precisamente esse?” Fica lançado o convite. E a entrada livre da tertúlia ganha um preço solidário.
J.P.F.
