Gripes, constipações e outras infeções respiratórias

Saúde Todos os anos em Portugal adoecem centenas de milhares de pessoas afetadas pelo vírus da gripe e destas, cerca de 2 mil acabam por morrer vítimas da doença. Textos de José Carlos Costa.

O que provoca as infeções respiratórias?

O maior número de doenças do foro respiratório, como gripes, constipações, laringites, bronquites, rinites e pneumonias, ocorre durante os meses frios e é, na maioria das vezes, provocado por vírus.

A sintomatologia das infeções do aparelho respiratório é muito diversificada. Na constipação, a febre e a dor de cabeça raramente se manifestam. A dor muscular e a fadiga podem manifestar-se ligeiramente. Todavia, o congestionamento nasal (nariz entupido), os espirros e a inflamação na garganta são frequentes. A tosse também pode aparecer. Os sintomas da gripe são diferentes da constipação. Nos episódios gripais, pode aparecer febre, dores de cabeça, dor no corpo, dores musculares, fadiga física, bronquites e pneumonias.

Os sintomas mais comuns da doença são calafrios e febre, dor de garganta, dores musculares, dores de cabeça, tosse, fadiga e mal-estar. Em casos mais graves causa pneumonia, que pode ser fatal, particularmente em crianças e pessoas idosas. Embora às vezes seja confundida com a constipação, a gripe é muito mais grave. Pode causar náuseas e vómitos, especialmente em crianças.

O que é a gripe?

A gripe é uma doença contagiosa resultante da infeção pelo vírus influenza. O vírus influenza infeta o trato respiratório (seios nasais, garganta, pulmões e ouvidos). Existe uma especificidade de certas estirpes de vírus que podem sofrer uma mutação que lhes confere capacidade de infetar a pessoa adulta ou criança, sem escolher idades.

Um fator facilitador da transmissão do vírus é o agrupamento de pessoas em recintos fechados como escolas, lares, meios coletivos de transporte e discotecas…. A gripe apresenta uma elevada taxa de transmissão a partir das partículas da saliva de uma pessoa infetada, expelidas sobretudo através da respiração, secreções nasais, da fala, da tosse e dos espirros. A inalação dessas gotículas através do nariz ou garganta permite a entrada do vírus no organismo. Uma vez dentro do organismo, o vírus destrói a membrana mucosa de proteção do trato respiratório e infeta as células. As células são o tecido biológico privilegiado, onde o vírus influenza da gripe gosta de intervir e danificar.

É relativamente frequente a proliferação bacteriana nas membranas mucosas danificadas pela infeção pelo vírus influenza, que provocam infeções secundárias como pneumonia, sinusite, faringite, otite ou bronquite.

As infeções gripais também ocorrem por contato com superfícies contaminadas.

Período de incubação e de contágio

A gripe apresenta um curto período de incubação, o qual é, em média, de 2 dias com intervalo de 4 dias.

O período de contágio inicia-se 1 a 2 dias e dura até 5 dias após o início dos sintomas, tendo o seu auge nos segundo e terceiro dias após a formação da expectoração nos pulmões.

Ocorrência

A gripe ocorre, mais frequentemente, nos meses de inverno e, habitualmente, o pico surge entre dezembro e março. Admite-se, no entanto, a existência de casos esporádicos de gripe ao longo de todo o ano. Os casos de gripe que aparecem isolados, fora do inverno, passam habitualmente sem diagnóstico e tratamento específicos, sendo rotulados de síndromes gripais.

Sintomas

Os efeitos da gripe são por vezes muito severos e duram muito mais que os da constipação. A recuperação leva de uma a duas semanas de cama. A gripe também pode levar à morte, especialmente nas pessoas mais debilitadas, idosas ou com doenças crónicas. Pessoas com enfisema, bronquite crónica ou asma podem sofrer dificuldade de respiração enquanto gripadas. Além disso, a gripe pode piorar em casos de aterosclerose ou insuficiência cardíaca. O tabagismo é outro fator de risco associado a sérias complicações e aumento da mortalidade na gripe, sendo também um destruidor da vitamina C no organismo, por efeito da nicotina.

Os sintomas da gripe podem começar repentinamente ou um ou dois dias após a infeção. Geralmente os primeiros sintomas são calafrios, mas a febre também é comum no início da infeção, com temperaturas corporais acima de 38°C. Muitas pessoas ficam tão doentes que são confinadas na cama por vários dias, com dores por todo o corpo, que são piores nas costas e pernas. Os sintomas de gripe podem incluir:

• Dores no corpo, especialmente articulações e garganta; Tosse e espirros; Sensação de frio e febre; Fadiga; Cefaleia ou dores de cabeça; Irritação nos olhos; Congestão nasal e garganta; Dor abdominal (em crianças com gripe tipo B).

Complicações

e terapêutica

Habitualmente a gripe é benigna, mas também pode ser grave, principalmente nas pessoas idosas ou debilitadas por doenças crónicas. As complicações surgem mais frequentemente em pessoas com doença cardiopulmonar preexistente e na gravidez.

A idade é um fator adicional no aumento dos riscos, em particular se o idoso é portador de doença respiratória crónica. As pessoas com 65 ou mais anos apresentam taxas de hospitalização e de mortalidade por pneumonia e gripe superiores às da população em geral. Os bebés até aos dois anos de idade também pertencem a um grupo específico de risco, devido à sua tenra idade. Mas, por outro lado, são as que têm mais e melhores defesas imunológicas. Por isso, quando são saudáveis, bem alimentados e dormem o suficiente, reúnem um potencial de defesa excelente. O mesmo acontece com os jovens e adultos. O exercício regular, a adoção de uma alimentação equilibrada, com bastantes vegetais e fruta, a ingestão de uma quantidade de água compatível com as necessidades hídricas do organismo e um tempo de descanso biológico noturno é o melhor meio para prevenir e ajudar no cuidado das infeções respiratórias.

A alimentação concentrada de vitaminas e minerais, provenientes da fruta e dos legumes é recomendada e altamente benéfica. Por outro lado, a redução dos alimentos proteicos e do sal, ajuda a manter os níveis hídricos do organismo equilibrados, evitando perdas ou gastos desnecessários. Por isso, os sumos naturais de fruta, os chá mineralizados e a água ligeiramente aquecida bebidos alternadamente, são também uma boa medida no combate ao vírus da gripe e no tratamento da doença.

Algumas patologias respiratórias podem necessitar de tratamento farmacológico para o alívio dos sintomas e controlo da infeção. Estes tratamentos, quando necessários, devem ser individualizados e monitorizados por profissionais.

Na maioria dos casos de gripe e constipações, o repouso na cama e o alívio sintomático são suficientes. Nas pessoas de alto risco e com patologias crónicas, pode ser necessária a hospitalização.

Procedimentos a adotar em casos de gripe

• Procure isolar-se das outras pessoas, de forma a diminuir o contágio.

• Descanse, ingerira muitos líquidos (água, sumos e chás) e mantenha a alimentação, comendo o que apetecer mais, principalmente vegetais e fruta.

• Evite mudanças de temperatura.

• Não se agasalhe demasiado.

• Contacte o médico assistente, se é portador de doença crónica ou prolongada.

• Tome medicamento para baixar a febre (antipiréticos). Se tiver muitas dores também pode tomar analgésicos, mas sempre por prescrição.

• Faça atmosfera húmida, se tiver tosse.

• Aplique soro fisiológico para desentupir/descongestionar o nariz.

• Pode não ser aconselhável tomar medicamentos que reduzam a tosse, mas sim expetorantes.