Apresentação do livro do Monsenhor João Gaspar sobre a I República Portuguesa e a Igreja Católica Até há poucos anos, “o pensamento sobre a I República estava confinado a uma série de lugares comuns, díspares e contraditórios”. Pouco a pouco, desde o final do século passado, e em especial nos últimos cinco anos, “a contribuição para conhecer a I República foi de tal ordem que hoje temos dificuldade em abarcar o conjunto das obras publicadas”, realçou D. Manuel Clemente, na apresentação do livro “I República Portuguesa e Igreja Católica”.
Segundo o Bispo do Porto, historiador de formação e elemento da comissão que coordenou as comemorações dos 100 anos da República, a obra de Monsenhor João Gonçalves Gaspar está “em consonância com o conjunto geral” e revela uma “grande disponibilidade mental” para perceber o que aconteceu, já que “não é fácil abarcar todas as matizes e nuances”. “Monsenhor Gaspar mostra essa capacidade e revela algumas fontes em primeira mão”, disse.
D. Manuel Clemente considerou que “a pouco e pouco” vão-se superando as oposições primárias sobre este período conflituoso da história de Portugal. Adiantou, por isso, alguns elementos que contrariam que a Igreja estava toda de um lado e o novo poder do outro. “Houve padres que andaram a apostolizar pela República, como o pároco de S. João da Madeira, e havia três padres deputados republicanos”, disse. Por outro lado, a Lei da Separação Igreja / Estado, em 1911, provocou fortes clivagens mesmo entre aguerridos defensores da República.
De qualquer forma, até 1926 (instauração da ditadura), houve uma evolução de pensamento, quer entre políticos, quer na Igreja. O presidente António José de Almeida, por exemplo, evoluiu de radical pela República à entrega do barrete cardinalício a um bispo português nos seus aposentos, o que teria causado um grande desgosto ao entretanto exilado Afonso Costa.
