Religiosidade Popular – 2 De facto, oculta-se uma diferença grande nas atitudes referidas. Os santos são os amigos de Deus que a Igreja reconhece e propõe como nossos modelos e intercessores. Por isso nos relacionamos com eles, usufruímos da sua companhia espiritual e, frequentemente, lhes manifestamos a nossa devoção em orações, festas e ritos. O centro da sua vida é Deus, que, em Jesus Cristo, torna acessível a abundância dos seus dons a fim de enriquecer a nossa humanidade.
A verdadeira devoção aos santos consiste em agradecer ao Senhor as virtudes por eles alcançadas e que marcaram as suas vidas, em imitar a amizade que cultivaram para com Deus e para com o próximo, em pedir a sua intercessão em benefício de quem está em necessidade, em manifestar publicamente o seu valimento junto de Deus.
Só a partir da fé em Jesus Cristo se pode compreender a atitude genuinamente cristã de quem é devoto dos santos. O centro da sua vida é o amor com que Deus nos ama e do qual é prova sublime o seu Filho Jesus. O devoto está chamado a apreciar este amor que se faz serviço e a Igreja continuamente nos apresenta como forma de venerar aqueles que evocamos como exemplo a imitar e companhia a apreciar.
No culto genuíno aos santos, tudo procede de Deus e a Deus deve dirigir-se. Tudo e todos. Só Deus é adorado, isto é, reconhecido pelo homem/mulher como fonte da vida, criador da natureza e protagonista principal da história da salvação que se realiza no tempo e atinge a plenitude na eternidade. A adoração dirigida a Deus é feita ao Pai, ao Filho Jesus e ao Espírito Santo. As pessoas divinas na sua unidade e na sua trindade são adoradas pela Igreja com uma diversidade grande de gestos e ritos. Basta lembrar a piedade popular em relação à Eucaristia: missa, reserva no sacrário e visita, comunhão aos doentes, procissões e bênção do Santíssimo Sacramento.
A grandeza humana adquire um especial sentido quando se reconhece tal qual é perante Aquele que a enriquece com os seus dons, quando assume a nobre missão de corresponder com esforço e confiança. Quando assim não acontece e na devoção popular o santo toma o lugar de Deus, de Jesus ou do Espírito Santo, dá-se uma clara inversão de valores que desfoca e, por vezes, nega a fé cristã, desfigura o ser humano e a missão da Igreja.
Na próxima semana: Que valor se reserva nas peregrinações a Fátima e a outros locais de culto?
