O ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro) promove nos dias 15 e 17 de maio o terceiro ciclo de cinema para debater questões da vida. No primeiro dia, é exibido o filme-documentário “Testamento vital” e, com a colaboração do juiz Pedro Vaz Patto, debate-se a possibilidade de cidadãos poderem dizer o que querem que lhes façam numa situação limite. No segundo, passa o filme “Million Dollar Baby” e fala-se de eutanásia com o médico Daniel Serrão. As sessões, com entrada livre, têm início às 20h30 no Centro Universitário Fé e Cultura. Luís Manuel Pereira da Silva, membro da direção do ISCRA, responde a três questões sobre esta iniciativa.
CV – O ciclo vai estar centrado em duas questões do fim da vida. Porquê?
Luís Silva – Portugal viveu um forte bulício até à liberalização do aborto. Tudo levava a crer que as atenções se voltassem para os problemas relacionados com o fim da vida. Assim está a ser, de facto. O Parlamento tem-se debruçado, repetidas vezes, sobre esta matéria, dando, muitas vezes, a impressão de que se pretende mudar os pontos de referência, por recurso ao cansaço.
Feita esta ressalva de ordem conjuntural, importa recordar que a pertinência do assunto nunca se perderá, o que permite estar convicto de que em todo o momento o tema seria atual para um ciclo de cinema como este que o ISCRA organiza, em parceria com a Associação de Médicos Católicos, a ADAV e o CUFC.
Discutir quais os limites da intervenção humana na determinação do fim da vida de outrem é interrogar-se sobre o sentido e a dignidade da vida humana. Matéria nunca fechada, mas que deve ser abordada com pontos de referência que permitam não perder o pé.
Os filmes que vão ser exibidos andaram no circuito comercial. As suas histórias não estão necessariamente de acordo com o que a Igreja diz sobre os temas focados…
O cinema está aí, projeta-se, tem público e exerce a sua influência. A intenção destes ciclos de cinema é permitir um diálogo efetivo com o pensamento vigente, pretendendo perceber os motivos pelos quais outros possam pensar de modo diferente. As histórias destes dois filmes são desafiantes. Mas é assim na discussão sobre o início e o fim da vida: estamos muitas vezes, diante de dilemas, o que exige aprimorar o pensamento. Não é quando tudo é indubitável que as nossas conceções são experimentadas, mas quando se gera a crise. É o desafio destes ciclos: suscitar a reflexão perante situações dilemáticas que obrigam a perguntar sobre a pertinência do nosso pensamento.
Os convidados são pessoas credenciadas para desenvolver os temas…
Uma das certezas de que saberemos sobreviver à «crise» que cada um dos filmes poderá provocar está na qualidade dos intervenientes, neste ciclo. O Doutor Pedro Vaz Patto, juiz de direito reconhecido a nível nacional, com intervenção permanente sobre as matérias aqui em discussão (tem publicado, frequentemente, sobre a relação entre o direito e a ética da vida) e o professor Doutor Daniel Serrão, cujos méritos são os de um sábio intemporal, reconhecido nacional e internacionalmente (João Paulo II convidou-o para integrar a Academia Pontifícia das Ciências), permitem-nos ter a certeza de que a vida humana sairá dignificada dos debates que se travarão, seguramente, com acutilância.
A organização reforça que este ciclo está aberto a todos os homens de boa vontade, pretendendo-se capaz de colocar em diálogo a ética humanista de matriz cristã com as que possam pautar-se por outras matrizes, em atitude de partilha, mas também capaz de busca dos bens e valores maiores.
