Sonho do Cónego Filipe e de muitos estarrejenses

Têm utentes desde setembro de 2011. Creche e lar da Fundação Cónego Filipe de Figueiredo foram inaugurados no sábado.

O sonho do Cónego Filipe de Figueiredo tornou-se real. Esta – ou outra parecida – foi a frase mais repetida no dia 19 de maio, na inauguração da obra social sonhada pelo Cónego Filipe de Figueiredo, falecido em 2003, quando tratava dos primeiros procedimentos a sua concretização. A fundação com o seu nome levou a bom porto o sonho e agora Estarreja tem uma obra social para infância e a terceira idade.

D. António Francisco, presidindo à bênção, afirmou que mais do que o edifício e as estruturas físicas, interessa o espírito que habita a casa e o horizonte que dela se vislumbra. “Esta casa significa que queremos construir um futuro mais belo, solidário e justo com aqueles de quem tanto recebemos [os idosos] e com as nossas crianças”, disse na Eucaristia em que abençoou a capela. O Bispo de Aveiro lembrou o cónego, natural de Estarreja mas incardinado na diocese de Évora, que “nas planuras do belo Alentejo sonhou para a sua terra uma casa como esta”, e agradeceu a todos os que com “dedicação, pertinácia e coragem, desde o início deram alma e corpo a esta obra”.

Na sessão solene, Domingos Alfredo Tavares Mendes, presidente da Fundação Cónego Filipe de Figueiredo, realçou que “nada se consegue sem a capacidade de dar, criar e de relativizar preconceitos”. “Cabe-nos a nós levar esta obra por diante com a simplicidade e espírito de humildade com que foi sonhada”. No final da sua intervenção, depois de pedir “entrega de alma e coração”, com “profissionalismo”, para fazer desta uma “instituição de referência”, apelou à generosidade financeira para honrar compromissos “perante alguém que merece o nosso reconhecimento e agradecimento”. Referia-se ao empresário Manuel Matos, da empresa Prozinco, que avançou com a construção da obra, permitindo o pagamento num prazo de oito anos.

José Eduardo de Matos, presidente da Câmara Municipal de Estarreja, realçou que “nada de faz compartimentando, mas muito se faz juntando, congregando”. Lembrando o Cón. Filipe, referiu que foi o autor de livros sobre o P.e Donaciano de Abreu Freire, outra figura clerical de revelo, pois implantou em Estarreja o ensino secundário. O presidente da CME agradeceu aos muitos que contribuíram para a obra – “alguns não estão cá; é pena, pois deviam estar”, disse, numa clara referência ao primeiro presidente da fundação, Manuel Filipe, sobrinho do cónego, que se incompatibilizou com outros responsáveis – e pediu flexibilidade nas exigências da Segurança Social, que por vezes tornam insuportáveis os custos. “Este é um hotel de 5 estrelas. Mas desde que haja cuidado e carinho, podemos viver num de 4 ou de 3”, rematou.

Santos Sousa, diretor distrital da Segurança Social e anterior autarca da Murtosa, sublinhando que “quem não reclama é mal governado”, apontou medidas concretizadas em favor das instituições de solidariedade social, como a isenção de IRC ou a devolução do IVA nas obras de investimento, o programa de emergência social e o aumento de ofertas para crianças e idosos no mesmo espaço de creche e lar. Estas últimas medidas, afirmou, são decisivas para a “sustentabilidade das instituições”.

J.P.F.

Números da Fundação

33

Crianças dos 3 aos 36 meses na creche (Berçário, Creche I e Creche II)

45

Idosos no lar

10

Idosos que frequentam o Centro de Dia, que tem capacidade para mais 30

40

Idosos do concelho que em breve passam a receber o serviço de apoio domiciliário

95

Percentagem de ocupação dos serviços, o que permite a fundação afirmar que “está a funcionar em pleno”

3,5

Custo da obra em milhões de euros. Faltam pagar dois milhões. Além das mensalidades dos utentes e da comparticipação da Segurança Social, a fundação promove espetáculos de angariação de fundos, participa nas tasquinhas de Santo António e organiza sorteios de eletrodomésticos. Quanto ao próximo, anda a roda no dia 8 de julho.