Mensagem de Teresa de Saldanha é “excelente para os dias de hoje”

Ecos do lançamento das Cartas da fundadora das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena.

Teresa de Saldanha (1837-1916), fundadora das Congregação das Dominicanas de Santa Catarina de Sena, é um “modelo aplicável a cada cristão, de hoje e de todos os tempos”, porque “identificava os problemas com sobriedade, analisava as possíveis soluções e arriscava com coragem e confiança em Deus, uma confiança destas só existe se alimentada na oração, no encontro com Cristo!”, afirma a Ir. Flávia Dores, na sequência do lançamento das Cartas de Teresa de Saldanha, na noite de 23 de maio, no Centro Universitário Fé e Cultura.

A sessão contou com a presença de cerca de uma centena de pessoas e a intervenção de dois professores universitários, Manuel Alte da Veiga e Liliana Pimentel, e uma jovem aluna, invisual, Ana Teixeira. “Creio que foi muito positivo pela aderência das pessoas, porque gostaram, ficaram com vontade de conhecer Teresa de Saldanha e um livro de cartas é a oportunidade de a conhecer, pois a sua vida perpassa nelas, pelas suas próprias palavras”, refere Flávia Dores, que integra a comunidade dominicana aveirense. A religiosa afirma que a participação dos convidados “foi surpreendente” porque se deixaram encantar por Teresa de Saldanha, “cuja mensagem é tão atual”. Liliana Pimentel referiu os aspetos históricos que “mais realçam a força, a ousadia, a perseverança de Teresa de Saldanha”. Ana Teixeira, por seu turno, a única que conhece Teresa de Saldanha desde a infância, pois foi educada com Irmãs Dominicanas, “falou com o coração e transmitiu-nos a ideia de que Teresa viveu «toda de Deus», e que, apesar dos anos, os seus escritos, ainda transmitem paz”. O professor Alte da Veiga, que também é colaborador deste jornal, “destacou a alegria, a liberdade interior de uma mulher, uma líder que criou uma rede espiritual no país e fora dele, e que quando o exterior lhe encerra portas, consegue pela sua confiança em Deus fundar e ser a mulher forte do Evangelho”.

Na fundadora da comunidade a que pertence, Flávia Dores aprecia especialmente as qualidades de “pedagoga e mestra”, “líder, curiosa, inteligente, culta”. Teresa de Saldanha fundou 27 comunidades e cerca de 50 escolas, estendendo a sua ação também a Aveiro, como afirma Flávia Dores: “No Mosteiro de Jesus, investiu imenso, em recursos humanos (irmãs) e materiais na restauração do Colégio, que sob a orientação da Madre Inês Duff educou crianças pobres e ricas, tornando-se um dos melhores do reino, e preservando o edifício onde se encontram as relíquias de Santa Joana”.

Perante as dificuldades que teve de enfrentar, incluindo a perseguição dos primeiros tempos da República, Teresa de Saldanha afirmava: “Ele olha-me sorrindo para me dar força e eu havia de perder a coragem?” “É excelente para os dias de hoje”, conclui Flávia Dores.

J.P.F. com Pedro Neto