Texto Mais que uma vez lamentei com o Senhor pelo facto de que, morrendo, não tirou de nós a necessidade de morrer. Seria tão bonito poder dizer: Jesus também enfrentou a morte no nosso lugar, e, mortos, poderemos ir para o Paraíso por um caminho florido.
Pelo contrário, Deus quis que passássemos por esta “dura viela” que é a morte e que entrássemos na escuridão que dá sempre um pouco de medo. Pacifiquei-me novamente com o pensamento de ter que morrer quando compreendi que, sem a morte, nunca chegaríamos a fazer um ato de plena confiança em Deus. De facto, em cada escolha comprometedora, nós temos sempre “saídas de segurança”. Ao invés, a morte obriga-nos a confiar totalmente em Deus.
O que nos espera depois da morte é um mistério que requer da nossa parte uma confiança total. Desejamos estar com Jesus, e expressamos esse desejo de olhos fechados, às cegas, colocando-nos totalmente nas suas mãos.
Desejamos também nós gozar daquela paz interior que vence toda ansiedade e se confia a Deus com todo o coração.
Carlo Maria Martini
(15 de fevereiro de 1927 – 31 de agosto de 2012; ver página 07)
