A pizza e o ecoponto

Educação e Ambiente Foi há dias. E por causa de uma pizza. Melhor dizendo, por causa da caixa.

Quando alguém encomenda uma pizza para ser entregue, vê-se a braços, depois de jantar com a caixa de cartão vazia. Se a pizza é de tamanho familiar, a caixa não é pequenina…

– O que fazer à caixa?, alguém me perguntava há dias.

– Pode-se levar para o ecoponto? E qual é?

Bom, sendo uma caixa de cartão, a resposta seria “o ecoponto azul, o papelão”. Seria… se… – e apenas se – a caixa vazia estivesse limpa. Limpa e não com pedacinhos de bacon agarrados, tomate e vestígios de azeite.

– Então, mas porquê? Não andam sempre a dizer que o papel e o cartão são para o papelão?

Nesta altura, tentei explicar o melhor que me foi possível que, para fazer papel novo a partir de papel velho, há que ter alguns cuidados: o papel e cartão recolhido nos ecopontos, ao ser enviado e entregue em fábricas que os vão reciclar têm que estar limpos, sem gordura, sem restos de comida (ou bebida). O processo está dimensionado para reciclar papel e cartão; e não, papel e cartão, chouriço, tomate, bacon, gordura… As máquinas usadas estão preparadas para triturar e moer papel e cartão – e não “gostam” de cartão gordurento nem de papel com óleo, azeite…

– E porque é que não separam as coisas, lá nas fábricas? Podem ser eles a ver se o papel está bom para ir para reciclar! Assim eu punha a caixa da pizza no ecoponto e pronto.

Nessa altura, foi a minha vez de perguntar:

– Já alguma vez visitaste um sítio onde se separa o lixo [uma estação de triagem]?

A resposta que obtive foi “Não”. E fez-me pensar nas pessoas que trabalham ou trabalharam na recolha de lixo doméstico – como o Filipe e o Paulo, que conheci há anos -, e nas suas condições de trabalho. Fez-me pensar também no tipo de ambiente que se respira numa estação de triagem: aqui, homens e mulheres em pé, frente a um tapete rolante, separam o que pode ser reciclado daquilo que são intrusos, contaminantes.

Eu posso, diariamente, escolher se quero colaborar e contribuir para que a minha aldeia, vila ou cidade seja um exemplo a seguir em matéria de, por exemplo, reciclagem do lixo doméstico. Para que os recursos sejam bem distribuídos e aplicados – não faz sentido gastar combustível e recursos humanos para transportar lixo que se pensa ser reciclável porque foi colocado num ecoponto, para depois afinal descobrir que está contaminado e terá que se enviado para um aterro sanitário.

Uma evolução positiva, no nosso país, diz respeito aos pacotes de leite vazios. Há oito anos havia, em alguns municípios, indicações para que este tipo de embalagens fosse colocado no ecoponto azul, já que possuem cartão na sua composição. Só que os restos de leite desses pacotes então depositados no papelão, escorriam e contaminavam o papel e cartão que já tinha sido aí colocado; o resultado era uma “papa” de papel com um cheiro desagradável… imprópria para reciclagem. Atualmente já não existem dúvidas: os pacotes de leite vazios devem ser colocados no ecoponto amarelo, o embalão.

E quanto às caixas de pizza, em cartão? Bom, deverão ser colocadas no saco do lixo “normal”, se estiverem sujas. Mas se, por exemplo, a tampa da caixa se encontrar limpa, poderá ser destacada da base – e, a seguir, ser levada para o ecoponto azul… Não vai ocupar tanto espaço no saco do lixo e vai ter um destino útil!

Quem sabe, talvez contribua para o fabrico de uma caixa de ovos.