Da Ponte Medieval do Marnel à Estação Arqueológica do Cabeço do Vouga

Roteiro de Férias A partida para o presente roteiro de férias é a margem sul do Rio Marnel, junto à EN1/IC2 (lado de Águeda), no lugar de Lamas do Vouga. Do lado nascente da estrada há uma pequena placa que indica “Ponte Medieval”. No entanto, o melhor é prosseguir pela EN1 até à margem norte do Rio Marnel, onde, junto a umas casas em adobe, surge uma estreita rua que conduz até ao rio e à ponte medieval, classificada em 1956 como Imóvel de Interesse Público.

A ponte, com cerca de 120 metros de comprimento, tem uma curiosa forma em Z aberto, com a maioria dos arcos no troço central. É incerta a sua data de construção, mas poderá ser do período romano (século II), tendo integrado a estrada romana Emínio (Coimbra)/Cale (Porto). No século XIV, a ponte foi substituída pela actual, que recebeu obras de restauro em épocas posteriores, nomeadamente no reinado de D. João III (1552). Actualmente, a Câmara Municipal de Águeda está a concluir obras de restauro da ponte e na zona envolvente.

A ponte, bem como a antiga estrada que lhe dava acesso, é bastante estreita.

“Ponte Romana” sobre o Rio Vouga

De regresso à EN1/IC2, o percurso segue algumas centenas de metros para norte, até à passagem sobre o Rio Vouga, de onde se avista a velha “ponte romana”, também do lado nascente.

Num entroncamento para a direita, poucos metros após a ponte, uma placa indica Macinhata do Vouga, para onde se vira. A estrada desce em direcção ao rio, atravessando-o na ponte que a tradição popular designa por “romana”. Tal como a ponte anterior, também esta poderá ser de origem romana, uma vez que a referida via romana passava por aqui. No entanto, o que se sabe é que o traçado actual da ponte resulta das obras efectuadas no reinado de D. João V, no ano de 1713, obras que aproveitaram grande parte da ponte mandada construir (ou reconstruir) no reinado de D. João III, em 1529. No século XIX, a ponte recebeu novas obras, mas foi já na década de 1930 que teve alterações profundas ao nível do tabuleiro, com o alargamento deste para fora da estrutura então existente.

A ponte tem 15 arcos. É precisamente ao nível dos arcos que é possível distinguir a parte do século XVI da parte construída no século XVIII. Segundo A. Nogueira Gonçalves, no seu livro “Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Aveiro. Zona Sul”, os três primeiros arcos do lado sul são do século XVIII, enquanto os restantes 12, são quinhentistas.

Estação Arqueológica

do Cabeço do Vouga

Depois de passada a ponte, na rotunda situada junto a um pequeno aglomerado urbano, o percurso vira para a esquerda, e segue por uma estrada paralela ao rio. Na zona florestal surge, do lado direito, uma subida bastante íngreme, com a sinalização de Estação Arqueológica.

Quase no alto da encosta, numa curva à direita, há uma casa de madeira que serve de recepção e museu da Estação Arqueológica de Cabeço do Vouga, junto à qual tem início o caminho de acesso ao Cabeço da Mina, com as suas enormes estruturas que cobrem e protegem os vestígios arqueológicos.

Situada junto à capela do Espírito Santo, a Estação Arqueológica de Cabeço do Vouga estende-se por duas cumeadas situadas entre os rios Vouga e Marnel, designadas por Cabeço Redondo e Cabeço da Mina, sendo esta última, que alberga a zona principal da estação.

O povoamento deste local é bastante remoto, com destaque para os períodos da Idade do Ferro e Romano, ainda que apresente alguns vestígios mais antigos, da Idade do Bronze, e outros mais modernos, já da época medieval. Por motivos desconhecidos, o povoado deixou de ser habitado ainda na Idade Média, não restando quaisquer vestígios que atestem a sua ocupação nos séculos mais recentes.

Do castro existente na Idade do Ferro ainda restam ruínas de construções circulares e, um pouco mais recentes, oblongas e subrectangulares. O período romano está representado por construções de melhor qualidade, de planta rectangular, já com cobertura de telha e pisos em cerâmica. No Cabeço da Mina destaca-se uma construção, de cariz político e militar, do tipo “castellum”, o que demonstra a importância que o povoado chegou a ter nesse período.

No espaço museológico estão expostos diversos vestígios arqueológicos encontrados no local, com realce para peças cerâmicas e outros objectos de uso doméstico ou do quotidiano, sobretudo referentes ao período romano.

Classificada como Imóvel de Interesse Público, por decreto datado de 28 de Junho de 1947, a Estação Arqueológica pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 9h30 às 12 horas, e das 14h30 às 17 horas. Recomenda-se marcação prévia.

Cardoso Ferreira