Um debate necessário

Igreja, Divorciados e Recasados O tema dos recasados, que coloca naturais dificuldades na vivência cristã, quer a quem está nas situações, quer às comunidades cristãs e aos seus líderes, não é novo. Mas nunca como agora teve tanta atualidade, dados os números crescentes de católicos em segunda união e a presença cada vez mais visível destes nas comunidades cristãs, o que constitui, também, um sinal claro que a Igreja acolhe. É conhecida a pergunta de um pároco, algures do centro da Europa: “Se não aceito os recasados, com quem fico? Com a igreja vazia?”

Bento XVI, no último encontro mundial das famílias (inícios de junho, em Milão), afirmou: “Quero dedicar uma palavra também aos fiéis que, embora compartilhando os ensinamentos da Igreja sobre a família, estão marcados por experiências dolorosas de falência e separação. Sabei que o Papa e a Igreja vos apoiam no vosso sofrimento e na vossa fadiga”. No entanto, vão surgindo vozes eclesiais destacadas que pedem ao Papa uma outra saída para a situação dos recasados que, como se sabe, não podem comungar. São convidados para a Ceia, mas não podem comer, como já alguém observou. Por isso, o Cardeal Martini, recentemente falecido, várias vezes pediu que se reexaminasse a questão dos divorciados e recasados, para que se “abra a porta”.

Já este mês, em Hannover, Alemanha, num encontro com 33 bispos alemães e 300 delegados das dioceses, promovido pelos bispos alemães, Franz-Josef Bode, bispo de Osnabrück, recebeu um aplauso espontâneo pela sua posição sobre os divorciados em segunda união. D. Franz-Josef Bode defendeu que a Igreja deve procurar uma maior proximidade com as pessoas, mesmo com aquelas que não necessariamente correspondem às normas da Igreja: “A exclusão geral e duradoura dos divorciados em segunda união dos sacramentos parece ser a muitos dentro da Igreja uma conclusão intolerável”. E depois dos aplausos, acrescentou: “Precisamos de uma nova discussão, diferenciada e aprofundada, sobre a doutrina sexual da Igreja”.

Por estas e outras razões, é pertinente que se debata a situação dos recasados e divorciados na Igreja, mesmo a nível local, porque também aqui há muito a fazer. O debate acontece no próximo sábado, 29 de setembro, pelas 21h30, no Salão Nobre de Câmara Municipal de Aveiro, promovido por um grupo de católicos, e contando com as intervenções de D. António Marcelino e dos dois entrevistados nestas páginas.

J.P.F.