O dia a dia nacional preenche-se, na comunicação social, com factos de escândalo ou tragédia. Desde a corrupção de toda a classe de pessoas, até aos escândalos sexuais, até ao desespero da solidão ou da incapacidade de lidar com os limites que a natureza humana comporta.
Sabemos que a “expulsão”, do espaço público e da consciência pessoal, de convicções éticas, com fundamento em princípios religiosos genuínos, tem vindo a lançar as sociedades no lodaçal do relativismo, que elimina todas as referências e conduz ao vazio total de sentido.
Só assim se explica esta aridez de humanidade, este deserto de civilização que estamos a atravessar. E a constante divulgação de tal drama, se, por um lado, parece assustar, por outro, subtilmente vai entranhando esta mentalidade nos corações e nos espíritos de muita gente.
Não são apenas os oásis de humanidade que subsistem e se multiplicam por muitos lados. Há mesmo sinais de uma nova civilização de solidariedade, de respeito pela dignidade fundamental da pessoa humana, um fluxo de relações novas, entre as pessoas e com as coisas, que emerge dos escombros de uma humanidade decadente.
Não lhe dão a visibilidade que merece, porque o caos favorece sempre os oportunistas, os sedentos de suor e sangue. E, se lhe dão alguma atenção, parece mais na mira de encontrar novos motivos de suspeita, de apreensão, de desordem, porventura para justificar novas intervenções perversas.
A paciência de quem espera que a seara cresça, durante a noite, sem que se dê por isso, não é a passividade de quem aguarda que aconteça. É antes a esperança de quem actua, mesmo sem espectáculo, na certeza de que o Construtor está atento, e vai consolidar a pouco e pouco esta construção.
As perseguições aos cristãos, como a todas as pessoas de bem, são uma constante na história da humanidade. O caminho do caos ao cosmos é uma peregrinação constante, em que as etapas são assinaladas com a sementeira de muitas vidas entregues, a gerar vida nova. Aquele que assume a nossa condição humana para a elevar à condição divina passa pelas sombras da morte. As manhãs de ressurreição sucedem a muitas agonias, cruentas paixões, vexames, abandonos… Mas a aurora ergue-se radiosa!
Refundar a Humanidade dependerá, em grande medida, da recriação da esperança, do abraçar a via estreita como o caminho libertador.
