Pedir ajuda e deixar-se ajudar

Colaboração dos Leitores Certo dia um pai pediu ao filho que pegasse num jarrão, manifestamente grande e pesado para uma criança. Ao fim de muitos esforços, o pequeno, desconsolado e pesaroso foi ter com o pai e disse-lhe:

– Não posso mover o jarrão, quanto mais pegar nele.

– Mas, retorquiu o pai, fizeste todo o possível?

– Sim pai, fiz o mais que podia.

– Estás enganado. Faltou-te uma coisa: pedir ajuda ao teu pai!

Vamos tentar passar esta lógica para o que se passa connosco ao longo da vida. Sempre teremos dificuldades e por muito empenho posto da nossa parte, por vezes não conseguimos nada, ou muito pouco.

Santo Agostinho, referindo o tema para a vida do cristão tem esta frase: “Faz o que podes e pede o que não podes”. Ora muitos que se dizem e são cristãos pensam muitas vezes: Mas se Deus é Todo-Poderoso, não podia fazer-nos as coisas mais fáceis? Temos incertezas, dúvidas, angustias, não podia Deus poupar-nos?

Claro que podia, mas quis correr o risco da nossa liberdade e portanto não nos tira todas as «pedras» do caminho, mas deixou-nos escrito como as poderíamos tirar. Como? Ajudando-nos a lutar contra aquilo que de errado encontramos em nós e queremos remover.

Vem a propósito uma história que é bem conhecida, mas pouco utilizada. Um homem estava sentado no campo e viu um casulo do bicho de seda. Reparou que tinha uma pequena frincha, por onde viu que a mariposa tentava com grande esforço romper o casulo para poder sair. Ao fim de algum tempo, o homem pensando que a mariposa estava cansada e a sofrer, resolveu dar uma ajuda e abriu-lhe o casulo. A mariposa saiu com facilidade, mas o homem julgava que começaria a voar. Nada isso aconteceu: as asas não cresceram e a mariposa nunca pode voar, acabando por morrer.

O homem compreendeu então que a sua ajuda foi prejudicial; o esforço da mariposa dentro do casulo, tentando sair, fortificava-lhe as asas e quando fosse a altura, rompia por si mesma o casulo e então poderia voar.

Estas considerações aplicam, como é óbvio à luta ascética, em que queremos colaborar com Deus no alcance da santidade. “Sede santos como o Pai Celeste é Santo”, mas eu não queria ir por aí, neste momento sem antes me referir a outro assunto.

Quero aplicar estas considerações ao campo educativo. Educar uma criança não é como adestrar um cão ou um cavalo. É começar bem cedo – 20 anos antes dela nascer – a tentar que faça bom uso da sua liberdade, frisando bem que liberdade, não é fazer tudo o que lhe dá na gana, mas sim fazer o que está certo e correcto. Assim desde pequenina só devemos fazer por ela o que ela não pode realmente fazer (é o caso da mariposa) e ensinar-lhe que quando não pode deve pedir ajuda a quem pode: pais, irmãos mais velhos, professores, etc.

E Deus? Pois parece que não tem lugar. Mas só parece, porque com S. Paulo podemos repetir: “Posso tudo n’Aquele que me conforta”. Ora esse «Aquele», é Deus sempre pronto a ajudar-nos quando fizermos tudo que está ao nosso alcance: fazemos o que podemos e pedimos a Deus o que não podemos! Mesmo no campo educativo.

Maria Fernanda Barroca