Sinfonia de figuras sob a luz de Deus

Arte Os tetos da Capela Sistina foram apreciados pela primeira vez há 500 anos, no dia 31 de outubro de 1512, após a oração das Vésperas de Todos os Santos. Bento XVI assinalou a data, na quarta-feira passada, afirmando que o teto pintado por Miguel Ângelo (1475-1564), entre 1508 e 1512, é uma “sinfonia de figuras”. “Com uma intensidade expressiva única, o grande artista desenha o Deus Criador, a sua ação, o seu poder, para dizer de forma evidente que o mundo não é produto da escuridão, do acaso, do absurdo, mas deriva de uma Inteligência, de uma Liberdade, de um supremo ato de Amor”, disse o Papa.

Segundo Bento XVI, este espaço, visitado anualmente por cerca de 5 milhões de pessoas, é “ainda mais belo, mais autêntico, revela-se em toda a sua beleza”, se for “contemplado em oração”. Nos frescos, afirmou o Papa, percebe-se uma luz “que não vem só do uso sábio da cor, rica de contrastes, ou do movimento que anima a obra-prima de Miguel Ângelo, mas da ideia que percorre a grande abóbada: é a luz de Deus”.

A Capela Sistina deve o seu nome a Sisto IV, Papa entre 1471 e 1484, que promoveu as obras de restauro da antiga Capela Magna a partir de 1477. Júlio II, sobrinho do Papa Sisto, decidiu modificar parcialmente a decoração do espaço, entregando a tarefa a Miguel Ângelo, que pintou a abóbada e a parte alta das paredes. Numa fase posterior, entre 1537 e 1541, pintou o “Juízo Final” na parede por cima do altar desta capela.

A Capela Sistina pode ser visitada virtualmente no sítio do Vaticano (http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html).