Família: felicidade e escrifício

Colaboração dos Leitores A Família é a única comunidade em que todo o homem «é amado por si mesmo», pelo que é e não pelo que possui.

Ser Família é:

A mãe que enfrenta, com um sorriso, mais um dia de trabalho, depois duma noite em claro, porque o filho de três anos não lhe largou a mão, com medo;

O pai que deixa de ver o jogo da selecção porque o filho adolescente mostrou, finalmente, alguma abertura para um diálogo;

A filha que desiste de uma saída nocturna para ficar com a mãe que, já de certa idade, pensa que vai morrer só porque está com gripe;

O marido que ontem prescindiu de um transporte, fazendo uma longa caminha-da a pé, para poder surpreender a mulher com uma flor;

O filho e executivo que, todos os dias, vai dar de jantar à mãe, embora esta já não o reconheça;

A avó agonizante que ainda encontra forças para balbuciar: Zé, meu querido neto;

O jovem casal que desiste daquela viagem de sonho só porque os filhos não podem ir com eles;

Aqueles avós que, já na auto-estrada para umas mini férias, regressam a casa, porque lhes chega um pedido urgente para ficarem com os netos;

O jovem pai que abdica do descanso de fim-de-semana, no sofá, para ir com os filhos pequenos ao jardim.

Ser família é também aquela Consoada, Páscoa ou outra festa, que junta à mesma mesa várias gerações, todas diferentes, mas tão alegres, unidas e felizes.

Estas e outras situações definem a família de sempre, em que cada um faz, por amor, o que é preciso fazer, sem pensar sequer que é um sacrifício, porque é simplesmente a consequência do amor e a causa de uma felicidade única.

Um bom lema para cada membro da família poderia ser: Os meus deveres são os direitos dos outros e os meus direitos são também os deveres dos outros.

E, a rematar estas linhas, pensando na família e na educação, que é o seu primeiro berço, dois princípios de actuação imprescindíveis: exigência e afecto.

Sempre os bons educadores precisaram destes dois ingredientes, mas sobretudo hoje, com a grande crise de autoridade na educação, e as imitações de famílias que, na realidade, não o são.

Adelina Maria Gonçalves