Confusão

O cidadão comum ou se alheia da confusão instalada na praça pública pelas vozes dos agentes políticos e responsáveis institucionais ou estarrece de pavor, amarra as mãos na cabeça e pergunta-se para onde se há de virar, que caminho de fuga há de encetar…

Na verdade, um denso e impenetrável nevoeiro caiu sobre o quotidiano dos portugueses, perturbando seriamente a sua orientação. Se dúvidas restavam, parece que elas se dissiparam: os interesses ideológicos e partidários, os truques corporativistas, a sede do poder, a parcialidade da comunicação social, suplantaram e eclipsaram a lucidez e o respeito, ignorando a vida dos simples, do povo, apagando a consciência da prioridade dos desígnios nacionais.

À primeira vista, não faltam soluções na manga de alguns. Bem preservadas – entenda-se! – para revelar apenas quando se chegar ao poder. De outros quadrantes, a certeza inabalável do rumo traçado, surda a todo e qualquer sofrimento, a toda e qualquer sugestão, opinião, questionamento. E, sofrendo o desgaste psicológico deste fogo cruzado, carregamos com sacrifícios atrás de sacrifícios. Não que o sacrifício seja abominável. Precisamos é de saber – preto no branco! – quem e em que medida assume esses sacrifícios, o rumo claro que perseguimos com esse esforço.

Os senhores da política já deveriam ter aprendido que o povo é paciente, é capaz de aguentar dificuldades e trabalhos; mas não é néscio, não é irresponsável. Às vezes vai um pouco na corrente das ilusões que lhe vendem. Todavia, tem uma reserva de sabedoria que o estrutura interiormente, mais do que se possa imaginar. E espera pacientemente os resultados das promessas feitas. Só que, quando a taça transborda, não será fácil conter as suas reações.

É urgente sabermos se estamos ou não no caminho certo. É imperioso que o poder político confronte ousadamente os lóbis, sejam eles financeiros, ideológicos ou de outra qualquer motivação. É absolutamente necessário que essa espiral de riqueza acumulada por uns poucos se inverta em movimento descendente ao encontro da multidão sofrida. A fome não é boa conselheira! A solidariedade heroica dos mais humildes já não consegue obviar à indigência dos carenciados de tudo!…

Proclama-se que é indispensável criar-se uma nova mentalidade, uma atitude diferente face à vida. Mas quem é que tem de fazer essa conversão? Os que consomem o necessário ou aqueles que esbanjam e, ainda assim, acumulam lauto supérfluo? Mesmo que se não trate de desbaratar o erário público, em tempos de carência tem de prevalecer o fim primordial dos bens: o benefício das condições de vida dignas para todos!

Basta de confusão! Sejamos claros, para reencontrarmos o caminho!