Voltemos ao Concílio

O Concílio começou há 50 anos e por isso Bento XVI proclamou para 2012-13 um “Ano da Fé”, também para revisitar o Concílio. A fé gera comunidade, gera igreja. Não há fé autêntica que não gere igreja. E não há igreja verdadeira que não faça nascer a fé e a alimente e fortaleça. Daí que não seja possível pensar a fé católica na atualidade sem olhar para a assembleia magna da Igreja, o Concílio.

No caso da Diocese de Aveiro dá-se a coincidência de os 75 anos de restauração serem comemorados ao mesmo tempo que o meio centenário do Concílio. Quer isso dizer que o acontecimento maior da nossa igreja local, a restauração da Diocese, poderá andar sempre a par do maior acontecimento da Igreja universal no séc. XX. O Concílio serviu, como dizem os interrogados da página ao lado, para adquirir uma conceção de Igreja como comunhão (e não como hierarquia e sociedade perfeita, entre outras imagens), para tomar consciência dos direitos e deveres dos leigos, para repensar o modo de estar no mundo… Tudo isso continua atual e marca a Missão Jubilar que a Diocese de Aveiro está a levar a cabo.

Entre nós, D. António Marcelino, que já tinha 10 anos de padre quando o Concílio terminou, tem sido a voz mais ativa, podemos mesmo dizer a nível nacional, no apelo ao regresso aos textos e ideias do Concílio, mas com os olhos no presente e no futuro. Regresso não como estudo da história, que também pode ser necessário, mas para transformação do presente, que é para isso que serve a fé.

D. António Marcelino, de quem se assinala o 25.º aniversário de Bispo de Aveiro no próximo domingo, publicou no final do ano o livro “Vaticano II ao alcance de todos” (Paulinas), que recolhe os seus textos da última página deste jornal, e assinou na revista “Communio” (cofundada por Joseph Ratzinger) um artigo sobre “Episcopado e missão pastoral”. Este artigo é o ponto de partida para a entrevista destas páginas. Porque é preciso voltar ao Concílio.

J.P.F.