Acidentes e lesões com crianças

Saúde Os acidentes domésticos são os mais comuns na infância. Conheça os perigos a que podem estar expostas as crianças e o que fazer para evitá-los. Textos do Dr. José Carlos Costa.

Deixar uma criança sozinha em casa ou noutro lugar de risco é expô-la ao perigo iminente de acidente. As crianças devem estar sempre sob vigilância de adultos ou de outros responsáveis. De acordo com o Ministério da Saúde, os acidentes domésticos são mais comuns na infância. O risco de existir um acidente é elevado quando duas ou mais crianças se encontram juntas sem a vigilância e proteção de pessoas responsáveis. Em nenhuma circunstância a criança deve ser abandonada ou deixada sozinha, nem tão pouco entregue a si mesma, devido à sua fragilidade e vulnerabilidade. Todas as crianças têm direito à segurança máxima, cabendo aos adultos, da família ou não, garantir-lhes proteção e isentá-las de todos os riscos que possam atentar contra a sua saúde ou colocar em causa as suas vidas.

A maioria dos acidentes domésticos com crianças acontece na cozinha. Com maior atenção dos adultos é possível evitar todos os acidentes que envolvem crianças, desde que se adotem as medidas de segurança máximas e se calculem com eficiência todos os riscos de ocorrência de acidentes.

Os acidentes podem acontecer a qualquer pessoa, em qualquer idade e em qualquer lugar. Porém, as crianças e as pessoas idosas são mais vulneráveis a este tipo de ocorrências. As quedas são a principal causa de lesões entre as crianças. Os ferimentos mais graves causados por quedas ou acidentes geralmente ocorrem na cabeça. A maioria dos acidentes envolve móveis, degraus, varandas, janelas, andarilhos para bebés, carrinhos de compras e veículos de transporte.

A maior parte dos acidentes ocorre em crianças depois dos 5 anos de idade, com picos de incidência na idade escolar e na adolescência. A incidência das fraturas da face na população pediátrica é maior nos rapazes. As crianças com idade inferior a 5 anos geralmente sofrem traumatismos de menor gravidade.

As crianças com idade superior a 6 anos de idade geralmente sofrem lesões de maior proporção, como as causadas por acidentes de veículos automóveis. Os ferimentos causados por acidentes de automóvel são a principal causa de morte nas crianças. O afogamento é a segunda maior causa de morte acidental entre crianças até aos 14 anos de idade.

A criança é um ser inigualável. A sua saúde é um bem inestimável e a sua vida é dom de Deus. Sendo, por isso, inviolável. Todas as crianças têm o direito de ser protegidas por todos e serem livres de todos os riscos que possam ocasionar perigo de vida ou dano à sua pessoa. A eficácia da segurança e a eficiência dos (as) responsáveis está na relação entre o número de acidentes e as lesões adquiridas. Deseja-se que acabem os acidentes que envolvem crianças, anulem-se os ferimentos e o sofrimento inocente. Porque, na sua maioria, podem ser evitados. A vigilância é a melhor maneira de zelar pela segurança de todas as pessoas, seja criança, jovem ou adulto.

Medidas de segurança

Dentro das várias medidas de segurança, a prevenção é a mais eficaz. O uso de equipamentos de proteção individual, como o uso de cadeiras próprias para cada idade e fixas ao assento dos veículos automóveis, para além de ser uma exigência legal é uma obrigação a ter presente. A boa utilização do cinto de segurança pode evitar as lesões de maior porte. A criança, quando colocada inadequadamente nos carrinhos de compras dos hipermercados, corre grande perigo de cair, sendo conveniente verificar o posicionamento da criança e mantê-la, permanentemente, sob o cuidado de quem a transporta. As quedas das janelas e varandas podem causar a morte ou ferimentos muito graves. Os gradeamentos colocados nas referidas estruturas domésticas podem ser uma boa solução para a prevenção dos acidentes.

A bicicleta não é o meio de transporte mais seguro para as crianças e adolescentes. A companhia de uma pessoa adulta e o uso de materiais de proteção adequados para a cabeça, cotovelos e joelhos, poderão evitar as lesões, assim como o uso de iluminação e materiais refletores.

Os atos violentos entre jovens e adolescentes têm aumentado na nossa sociedade. São comportamentos agressivos, manifestados em insultos, “bullying” (intimidação, agressão por indivíduos mais fortes), golpes físicos, bofetadas e murros que merecem a nossa reflexão.

Comportamentos

pós-traumáticos

As crianças com traumatismo craniano podem apresentar os mesmos sintomas de um adulto. Porém, elas têm maior dificuldade de expressar o que sentem. Por isso, somente uma pessoa habilitada poderá fazer a avaliação. Perante uma situação de traumatismo craniano, mesmo que seja somente suspeita, não se deve hesitar em recorrer ao apoio clínico-hospitalar.

O cansaço inexplicável, o desânimo, a irritabilidade, o mau humor, as mudanças repentinas na alimentação, as alterações no sono, as alterações na maneira de brincar, as mudanças no desempenho escolar, a falta de interesse pelos brinquedos ou pelas atividades favoritas, a perda de capacidades recém-adquiridas, a perda de equilíbrio e o vómito fazem parte de um vasto elenco de sinais de alerta para situações anómalas. É conveniente valorizar todos os sintomas denunciadores de lesões provenientes dos acidentes.

Objetos potenciadores de acidentes

•Fichas de aparelhos domésticos em período de utilização;

•Tomadas elétricas de fácil acesso;

•Fogão de fácil acessibilidade;

•Água quente e lume de fácil alcance;

•Porta do forno durante o tempo de utilização;

•Objetos pontiagudos ou cortantes disponíveis;

•Detergentes domésticos e medicamentos;

•Piscinas, banheiras ou outros recipientes com água;

•Escadas, janelas e varandas desprotegidas;

•Objetos pesados colocados sobre uma mesa, cuja toalha fica passível de ser puxada por uma criança;

•Torneiras da água e do gás de fácil utilização para a criança;

•Carrinhos de compras dos hipermercados, quando utilizados inadequadamente.

Principais acidentes e respetivos percentis

•Quedas ou acidentes: 31,6%,

•Afogamento: 15,7,

•Colisões e atropelamentos:14,5%,

•Bicicletas e outros veículos:10,1%,

•Agressões e uso de armas ou outros objetos de uso ilícito: 10,1%,

•Empurrões: 3,6%,

•Pontapés: 3,6%,

•Cabeçadas: 2,8%,

•Cães: 1,5%,

•Pedradas: 1,8%,

•Outros: 4,7%.

Lesões mais frequentes

•Traumatismo craniano;

•Morte

•Ferimentos na face,

•Lesões na região cervical (pescoço),

•Fraturas no ombro ou luxações,

•Lesões no tórax (costelas),

•Traumatismos na coluna e músculos,

•Lesões no abdómen e região pélvica (aparelho urinário).