Ponta de Lança Enquanto, entre nós, caiu – ou estará adormecido?! – o entusiasmo governativo (pretensamente) mobilizador do debate acerca da reforma, refundação, reestruturação do Estado, de Roma, da Sede Pontifícia, chega um contributo determinante para que tais coisas (dada a indefinição conceptual, “coisa” dá para tudo!): “Depois de examinar reiteradamente a minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério. Sou consciente de que este ministério, pela sua natureza, deve ser levado a cabo não apenas por obras e palavras mas também, em menor grau, através do sofrimento.
No mundo atual, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevância para a vida, para governar é necessário também vigor, tanto do corpo como do espírito. Vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de forma que tenho de reconhecer a minha capacidade para exercer de boa forma o ministério que me foi encomendado.
Por isso, estando consciente da seriedade deste ato, e em plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério que me foi confiado!” – declarou o Papa na passada segunda-feira.
Segundo um artigo de Pedro Jorge Castro, no último número da revista “Sábado”, Bento XVI terá visitado o túmulo do Papa Celestino V, que há 719 anos renunciou ao cargo. Isto desvela parte do movimento pedagógico que viria a consumar-se na passada segunda-feira: o bom conselho!
Truncadas algumas partes, para universalizar o efeito do discurso, fazendo-o mais universal, fica exposto o que é necessário quando faltam as forças: mudar a cúpula para que, com ela, não se desmorone tudo o que ainda está de pé soterre sem remédio as fundações, o próprio lugar daqueles que, segundo a tradição, jazem em paz, a cripta.
Sendo reconhecida a tenacidade e audácia do ato – porque faltam as forças à cúpula – o que fazer quando os cálculos da construção estão constantemente a ser reformulados porque os resultados apurados vão andando de erro em erro?!
O Papa, sendo também Chefe de Estado, para além de tudo o que já foi dito, como que assina uma última “carta encíclica”: a “refundação”, ou seja, quando já não há força para mudar o melhor é dar lugar às bases!
