Afirma a tua fé… firma os teus passos

Peço de Jacob – 74 Nesta Quaresma, este título é o lema que nos orienta, segundo as palavras e directrizes do nosso Bispo de Aveiro, fazendo eco da campanha da catequese. De facto, vivemos num mundo instável, onde a terra treme e mata. Porém, as convicções e a segurança dos homens mantém-se nos poderes políticos e económicos. Não se voltam em massa para Deus, nem no meio das catástrofes que os meios de comunicação transformam em filmes de Holywood.

Mas há por aí, e muito e bem, a história individual de um grande número de pessoas que vai descobrindo seriamente Deus nas suas vidas. As novas congregações religiosas enchem conventos, sob críticas de serem medievais no agir e no vestir, mas o facto é que, tirando as seitas que enchem os seus templos de católicos mal formados, as novas congregações arrastam multidões, como a Canção Nova, os Arautos do Evangelho, os Pequenos Filhos da Mãe de Deus, as Monjas de Belém, a Comunidade Emanuel, e até o fenómeno carismático do nosso tempo que é Taizé, fruto da alma apaixonada do Irmão Roger.

Deus não dorme nem abandona o seu povo. Nas paróquias da nossa diocese sente-se isso em homens e mulheres verdadeiramente comprometidos . E os nossos padres e diáconos dão o seu melhor. Afirmar a fé é mais necessário hoje do que talvez em qualquer outra época. O mundo é-nos apresentado como longe de Deus. Nos meios de comunicação social, os sem Deus têm mais voz ou a única voz. E milhares de pessoas só têm TV e rádio por companhia.

Estamos a terminar o mês de São José. O “pai” de Jesus acompanhou-nos nesta reflexão do Poço de Jacob no mês de Março. Quando o Sr. Bispo de Aveiro nos diz para “afirmar a fé”, os nossos pensamentos voltam-se para este José a quem Deus mandou pôr-se a caminho, ora para Belém, ora para o Egipto, ora para Jerusalém, ora para Nazaré, em pleno e silencioso serviço para com o Filho de Deus. Cada etapa era um desafio novo que o ajudava a afirmar a sua fé no Deus da Aliança, o qual tinha irrompido na sua vida com uma exigência de tal modo forte que o fez experimentar as aventuras do Êxodo de Moisés no Egipto.

Em cada situação tinha de “firmar os seus passos” na certeza de que Deus o conduzia, como conduziu o Povo libertado da escravidão. Os seus passos estavam firmes no chão de Deus, na terra sagrada que calca o peregrino do Absoluto, que é o homem, na sua caminhada sobre a terra.

S. José é o grande modelo deste lema. Ele viveu na obediência e na generosidade cada um dos pontos essenciais de toda a Quaresma: Partilhou a sua vida com o mistério de Deus em jejum da sua vontade e em sintonia de oração e de Amor com o Deus Libertador e com Maria, mãe do Verbo. Por isso, neste tempo de desvinculações, cabe a cada um de nós viver os desafios da sua vida, com a força da convicção que realizamos uma missão na terra, firmes na fé que nos apoia no nosso caminhar até a Terra Prometida e na certeza de que todos somos necessários para a obra salvadora de Deus, a qual se realiza no chão dos homens do nosso tempo. A Terra treme debaixo dos nossos pés. É hora de, por isso mesmo, firmar os nossos passos nesse chão, e agarrar-nos ao alto, afirmando nossa fé, para não sermos engolidos pelo tsunami das agitações deste mundo, um mundo que José bem conheceu na aventura difícil do seu existir.

P.e Vitor Espadilha