Senhor, sabes melhor que eu
que logo, logo, serei velha,
porque envelheço cada dia.
Ajuda-me a não ser linguareira
e guarda-me do hábito desastroso
de crer que algo tenho a dizer
a todos os momentos.
Livra-me do desejo de me meter
nas questões de toda a gente.
Que eu seja pensativa e reflectida
sem me tornar impertinente.
Que ajude sem dominar.
Às vezes, dá-me pena
não utilizar mais
a minha imensa reserva de experiências;
mas sabes, Senhor,
que gostaria de conservar alguns amigos.
Impede que não me perca
no relato de mil detalhes
e dá-me asas
para ir ao essencial.
Separa-me das minhas penas e feridas
e ajuda-me a suportá-las com paciência.
Ensina-me a maravilhosa lição
que posso tirar dos meus erros.
Ajuda-me a ser doce, mas não de mais.
Não faço questão de ser santa:
por vezes, é muito difícil
viver com uma santa.
Mas uma mulher, velha e amarga,
é uma obra-prima do diabo.
Ajuda-me a usufruir da vida,
há tantas coisas alegres e divertidas
e não quereria perder uma só delas!
Irmã Verónica Sofia,
religiosa francesa do século XVII
