Dia internacional da/o enfermeira/o

Colaboração dos Leitores A 12 de Maio celebra-se o Dia Internacional dos Enfermeiros, por ser a data de nascimento da mais conhecida enfermeira – Florence Nightingale.

Florence nasceu a 12 de Maio de 1820, em Florença, que pertencia então ao Grão-ducado da Toscana, e faleceu a 13 de Agosto de 1910, em Londres (celebrou-se o ano passado o centenário da sua morte), quase aos 90 anos.

O seu nome ficou para sempre ligado ao pioneirismo que usou no tratamento dos feridos da Guerra da Criméia. Chamaram-lhe a “A dama da lâmpada”, por recorrer a uma lâmpada para ajudar a tratar os feridos iluminando-os durante a noite. Baseando-se na medicina praticada pelos médicos contribuiu para a enfermagem com o “Modelo biomédico”.

Nasceu numa família com bom nível de vida e bem relacionada. Com o seu temperamento impetuoso rebelou-se contra o estatuto da mulher naquela época: ser esposa submissa. Assim, voltou-se para o atendimento aos outros e fez-se enfermeira.

Naquele tempo, ser enfermeira era algo pouco digno e pouco apreciado, mas Florence deu a volta ao assunto preocupando-se com as condições de tratamento médico dos mais carenciados. A sua atitude levou-a, em 1845, com 25 anos, a romper com a família, sobretudo com a mãe.

Um ano após a sua decisão, um escândalo público protagonizado pela morte de um sem-abrigo num Hospital de Londres tornou-a uma acérrima defensora da melhoria das condições de atendimento médico. O presidente do Comité de Lei para os Pobres – Charles Villiers – deu-lhe todo o apoio e ajudou-a a ter uma acção muito positiva na elaboração da reforma das Leis dos Pobres, empenhando mais o Estado.

Mas Florence somente conhecia o tratamento oferecido nos hospitais estatais. Em 1846, visitou Kaiserwerth, um hospital dirigido por feiras católicas na Alemanha. Ao ver a qualidade do tratamento médico e o empenho das freiras/enfermeiras ficou profundamente edificada. Aquilo já era um tratamento humanizado (o doente tinha nome; não era “o doente da cama X”).

Mas o seu nome ficou para sempre ligado à Guerra da Crimeia, quando começou a ter conhecimento dos relatos de guerra e das condições infra-humanas dos feridos. Em 1854, parte com uma equipa de 38 enfermeiras voluntárias treinadas por si mesma e segue para os Campos de Scutari na Turquia otomana.

Quando passados três anos regressou a Inglaterra já vinha como heroína e, de acordo com a BBC, a sua fama equiparava-se com a da Rainha Vitória. Entretanto adoece com febre tifóide e fica muito limitada fisicamente o que não a impede de voltar à Crimeia. Decide então fazer o que ainda pode: a formação de uma escola de enfermagem no Hospital Saint Thomas, com cursos de um ano, ministrados por médicos e aulas teóricas e práticas – uma inovação para a época.

Em 1883, a Rainha Vitória concede-lhe a Cruz Vermelha Real e em 1907 tornou-se a primeira mulher a receber a Ordem de Mérito.

Estas linhas foram o meu contributo e homenagem às nossas enfermeiras e aos nossos enfermeiros, que levam a cabo tarefas de responsabilidade, em casos de extrema falta de apoio técnico e com salários que não se compatibilizam com a enfermagem moderna que elas e eles praticam – são licenciados e em muitos casos com especializações exigentes, sem melhoria de condições salariais.

Maria Fernanda Barroca