1. O encontro festivo terminara. E cada um regressava ao seu transporte, para retomar o caminho de casa. A jornada fora entusiasta, reveladora do vigor do movimento apostólico que a organizara.
Surpreendi-me com a mensagem pendurada na porta do carro: «“Tu chamas-me. Eis-me aqui!” – Joga abertamente com o Senhor! – Prende a tua vida a uma escolha! – Sorri e mantém-te firme nas dificuldades! – Torna-te aquilo que és!».
Em início de Semana de Oração pelas Vocações, no contexto da minha missão, nas circunstâncias de muito graves problemas que se me deparam, não me pareceu um mero acaso o gesto desta mão anónima que me deixou tais desafios.
Comentámos o sucedido. E fiquei-me com estes estímulos, não apenas para uma semana carregada de acontecimentos e provocações, mas na perspectiva de um profundo exame de consciência e de persistência e redobrado empenho nos compromissos que me estão cometidos.
Na verdade, a autenticidade, a transparência, o discernimento e firmeza nas escolhas, com a alegria de quem sabe em Quem acredita, vitorioso e aliado indefectível, não podem deixar de transmitir serenidade e alegria interior e exprimir-se em sorriso que contagie tantos perturbados e desalentados dos nossos dias.
2. A contrastar com tudo isto, um panorama político desolador, enrolado de descarada mentira por parte da (des)governação, a que as oposições não contrapõem também medidas claras: que façam cair as máscaras, que façam perceber os erros cometidos, que apontem responsabilidades e exijam punição dos prevaricadores, que manifestem irrefutável compromisso com modos visíveis e novos de dar esperança e futuro ao país.
Parece que não temos gente capaz de fazer escolhas lúcidas, de se manter firme nessas escolhas, de assumir a política como um generoso serviço à comunidade, de repudiar, de uma vez por todas, a governação como uma oportunidade de favores e nepotismos, de não ter medo de afirmar valores que gerem uma contra-cultura de trabalho, responsabilidade, solidariedade, empreendedorismo…
A esperança é que há sempre uma reserva de humanidade, a qual, em tempos de crise, costuma aflorar na vida pública. Não um “D. Sebastião” inesperadamente surgido dos nevoeiros da anarquia; mas um conjunto de dedicados e convictos servidores, lúcidos, rectos, austeros, que trilhem o caminho da esperança com firmeza e realismo.
Assim esperamos!
