O sucessor imediato do padre Américo partiu

Olhos na Rua A morte de algumas pessoas faz-nos lembrar outras que nunca morrem. É o caso. O Padre Carlos Galamba, com 85 anos e mais de 50 ao serviço da Obra da Rua e dos Gaiatos, partiu. Foi o fascínio e a admiração que sentiu, de modo directo e pessoal, pelo Padre Américo, que o fez deixar a sua carreira de engenheiro, acabado de formar, para seguir o mesmo caminho. Não é fácil ficar indiferente ante alguém que se entrega por inteiro ao bem dos outros, que faz da sua vida um serviço aos gaiatos da rua e os vai ajudando a tornarem-se homens dignos e cidadãos responsáveis, como a história o revela.

O Padre Carlos, com os outros Padres da Rua, significou a continuação de um carisma maravilhoso e a defesa e promoção de um património de amor, que revela a face da Igreja serva e pobre, para que se vá tornando, por este caminho, Igreja mãe e mestra. Muitos não têm entendido assim. De há um tempo, parece incrível, mas é verdade, o governo socialista, pelos seus serviços, não quer que se peça à Obra da Rua que aceite crianças, a pretexto de que a sua pedagogia educacional não condiz com os critérios da multidão dos psicólogos e educadores sociais que trabalham a horário certo. Quem educa com amor não tem horas.

Sobre a pedagogia viva do Padre Américo, continuada ainda hoje na Obra da Rua, fizeram-se diversas teses de doutoramento em universidades nacionais e estrangeiras, que abonam do seu mérito e valor incontestável.

Num campo que todos sabemos difícil, educar crianças sem famílias ou com famílias desestruturadas, porque não se comparam os resultados da Obra da Rua e das outras instituições, inclusive as do Estado?