Poço de Jacob – 83 No caso de Fátima, já vimos a geografia. Os videntes também os conhecemos. Mas não podemos excluir de Fátima a beata Alexandrina de Balazar, que, na linha da Mensagem, como aconteceu com a tão desconhecida e valiosa Maria do Divino Coração, do Amial, Porto, vai ter importância junto de Pio XII para a consagração do mundo ao Coração de Maria, como a Beata do Porto teve para a consagração ao Coração de Jesus por Leão XIII.
No Evangelho sabemos quanto os corações Jesus e de Maria estavam unidos, também nas interpretações do chamado proto-evangelho, em Gn 3.15 e Apoc 12. Podem referir-se à Igreja as alusões à mulher nesses capítulos, mas os autores de todos os tempos, da teologia católica, sempre as referenciaram a Maria, ainda que também à Igreja.
Balazar é hoje, no mundo da Igreja, a terra da vítima que se imolou, qual Padre Pio, para salvar almas. É terra eucarística… E não fora o esoterismo que caracterizam as romarias portuguesas e a fé pouco esclarecida do nosso povo, por não haver quem o oriente, seria ainda mais um lugar de referência eucarística-mariana que ajudaria bem mais do que já faz.
É igualmente necessário sublinhar que se consideram como pontos ligados a Fátima e Lourdes as aparições, todas aprovadas pelos Papas, de Banneux, na Bélgica, a Mariette Becou, em 1933, e em Beauraing, também na Bélgica, a cinco crianças da mesma época. São Santuários de referência para onde eu mando os meus emigrantes do Luxemburgo e da Bélgica, que aí recebem formação e grandes graças. Todos os locais de que já falamos nestes artigos receberam a visita do beato João Paulo II, como podem verificar nas páginas da Internet a eles dedicados.
Um bom católico procura estes locais, se assim entender, que o debruçar-se sobre os assuntos das aparições lhe faz bem, pois o que conta, fundamentalmente, são os evangelhos. Devemos ouvir e seguir o que nesta matéria – ou seja, as aparições – nos dizem o Magistério da Igreja e as directrizes do Vaticano, na sua prudência animada pelo Espírito Santo. O católico está atento, em obediência ao Magistério e à pessoa e missão do Papa de cada época. Fora do Magistério ou contra ele, o católico desvia-se do seu caminho. O Depósito da Fé está a cargo do Magistério, que nos apresenta sem perigo de erro a simbiose perfeita entre Tradição e Bíblia, que são os pilares onde se funda a doutrina da Igreja.
Fátima só pôde ser considerada digna de crédito quando a Igreja se pronunciou. Fátima pela sua verdade e autenticidade, impôs-se à Igreja. Não foi invenção da Igreja. E para analisar a verdade dessa e de todas as mensagens particulares do Céu, a Igreja, mais do que as palavras de Virgem Maria, analisa e apresenta a vida de santidade dos videntes. Se se santificaram e obedeceram, incondicionalmente, à Igreja, então a Igreja declara dignas de crédito as aparições, intra ou extra mentais, as quais, nestes aspectos discutíveis pouco valor têm em comparação com a santificação dos pastorinhos, que são beatos não por terem visto Maria, mas por terem sido fiéis as promessas do seu Baptismo.
Uma religiosa de Tuy disse uma vez que a Lúcia de Fátima deveria ser muito feliz por ter recebido uma certa garantia de Maria de ir para o Céu quando em 13 de Maio Maria lhe disse: “Tu vais para o Céu…” Lúcia respondeu à irmã: “Não sei porque me diz isso. A irmã tem a mesma promessa e bem mais forte”. “Como?”, interrogou. Lúcia continuou: “Não diz Jesus no Evangelho: «Quem come a Minha carne e bebe o meu sangue terá a Vida Eterna?» Não é garantia visto que comunga todos os dias no convento? Se for boa mulher, quer mais garantias que as que o Evangelho lhe dá?”
P.e Vitor Espadilha
