Poço de Jacob – 46 O Terço é a escola de Maria. Por ele, entramos suavemente na compreensão dos mistérios de Jesus. Foi pedido em Fátima. Tranquiliza. Já S. Domingos entendeu ser ele um meio propício para formar o povo contra a heresia dos albigenses, para além do seu valor de oração eficaz. Oração Bíblica por excelência, foi chamado “o saltério do povo”.
Há dias falaram-me de rezarmos um milhão de terços para salvar Portugal. As mesmas pessoas enviam-me mensagens por e-mail, que são lixo, atacando com atitudes inaceitáveis o governo e as pessoas que o compõem. A luta política, se não é limpa e honesta, não é cristã. Não é de bom tom atacar a vida privada de pessoas públicas para serem desacreditadas, como se faz hoje tão correntemente.
Isto fez-me pensar, a mim que rezo o Rosário diariamente como tantos padres e leigos da Igreja o fazem, de que estilo de pessoas devemos salvar Portugal. Poderíamos enumerar pessoas, instituições, acontecimentos, o que for que consideremos perigoso para a nossa saúde de povo. Mas não duvido em afirmar que os destinos do mundo estão nas mãos dos cristãos, que não tem, diante de Deus, actos indiferentes. Ou fazemos o bem e o mundo anda, ou fazemos o mal e paramos a evolução do mundo.
Jesus deixou-nos a Sua Paz. Um cristão que se eleva, eleva o mundo, dizem os místicos. Somos portadores de Cristo de modo consciente e responsável, a partir do nosso Baptismo. Por isso, o que pode prejudicar Portugal e o mundo não são as forças políticas, sociais ou ideológicas. Venham de onde vierem, perturbam mas não podem mais do que Deus.
O que prejudica o mundo, e contra estes um milhão de terços talvez não baste, somos nós, os maus cristãos, que fazemos a vida negra uns aos outros, na Igreja, contra a própria família religiosa, como disse o Papa antes de aterrar em Portugal, e contra o mundo.
Há dias, um ateu comentou que num jantar entre amigos o padre convidado teve uma linguagem de tal modo baixa que ele, homem casado, sentiu vergonha por não ser capaz de usar tais termos e tal nível de anedotas e conversas. Noutro lado, um grupo de agentes de pastoral foi de casa em casa impedir as matrículas na catequese para que o padre saísse da paróquia, e um deles era pai de um padre, boicotando o coral da paróquia e lançando calúnias contra o sacerdote, que, desanimado, desistiu. Um grupo de freiras fez o mesmo contra o sacerdote, tendo a superiora agredido o mesmo em plena catedral só por ele discordar de alguns métodos de pastoral das mesmas. E se formos ver, melindres, calúnias, ofensas, vinganças, maledicências, rivalidades entre movimentos e congregações religiosas, adultério em casais que se mostram cristãos, e isto só para falar do mais leve que sucede na Igreja, então temos de considerar que o grande inimigo da obra de Paz no mundo posso ser eu ou tu, se não vivemos radicalmente as exigências do Evangelho que nos levam a matar o homem velho e bolorento que existe dentro do nosso coração.
Todos podemos fazer muito bem o mal… Já S. Paulo se queixava da sua fragilidade. Enquanto a Igreja de Jesus Cristo não se converter, em cada um de nós, para uma vida pura e transparente diante dos homens e do mundo, podemos ter a certeza de que não haverá terços que valham ao mundo, porque os inimigos somos nós que anulamos a sua eficácia.
P.e Vitor Espadilha
