Copianço no Seminário de Aveiro

Colaboração dos Leitores A propósito de um artigo de opinião, no CV de 22 de Junho, sobre o célebre exame de há dias dos magistrados, veio-me à memória um episódio ocorrido no Seminário de Aveiro, ano lectivo de 1966/67, num exame escrito de Matemática do antigo 3.º ano [actual 7.º ano de escolaridade]. Sim, digo bem, do 3.º ano, porque no Seminário havia exames todos os anos. O aluno em questão vinha do 2.º ano com “deficiência” a Matemática, o que implicava não poder tirar média negativa no exame do ano seguinte.

Mas a média, entretanto, “teimava” em ser igual à do ano anterior. Mas havia uma solução “milagrosa”: combinar com o parceiro do lado no exame (que já se sabia qual era, pela ordem alfabética), que por sinal até era bom na matéria. Estava, pois, tudo encaminhado para o êxito final.

Como em ciências tinha estudado a maneira como se alimentava determinado animal, que era por osmose, tratou de imitar o ciclóstomo. O “olheiro” desse exame estava mais interessado em pôr em dia a leitura do breviário do que em pressionar os apertados alunos. Todo este ambiente proporcionou uma espectacular nota de 15,1 valores, que inclusivamente dava para dispensar do exame oral. Mas quem não foi na cantiga foi o próprio professor da disciplina, o temível Padre Rei, que sabia bem a “peça” que tinha. O herói de então, com 13 aninhos à época, foi presa fácil de caçar. Apesar de não ter sido apanhado “em flagrante delito”, isso não era sequer desculpa para atenuante. Na reunião do conselho dos professores, ouvido que foi o dito professor, a unanimidade foi mais que lógica, e o aluno continuou a “marcar passo” no mesmo 3.º ano, e não podia haver apelo, porque o que contava nessa época era a verdade acima de tudo, ou não estivéssemos nós a ser formados para ser padres.

Não resisto a esclarecer que o aluno em questão era o mesmo que escreve estas linhas agora divertidas, mas que, na altura, não teriam graça nenhuma.

Armando Alberto Heleno