O arciprestado de Vagos tem vindo a renovar profundamente os seus templos católicos. Depois da renovação da igreja da Gafanha da Boa Hora e de Lombomeão (Vagos) em tempos recentes, reabriu ao culto a Igreja de Sosa, no dia 4 de Julho, e foi inaugurada a nova igreja de Fonte de Angeão, no dia 21 de Agosto. Em fase final de construção encontra-se a igreja de Ponte de Vagos. O falecido P.e Cartaxo estava muito empenhado na obra.
Fonte de Angeão
A igreja de Fonte de Angeão é um orgulho para a comunidade cristã, a começar pelo pároco, P.e João Evangelista Marques Sarrico, mas sem esquecer os autarcas locais, Helena Marques, a anterior presidente da Junta de Freguesia, e Albano Gonçalves, o actual presidente, que muito contribuíram para a execução da obra. Uns dias após a inauguração, o “Correio do Vouga”, visitando o templo, encontrou o presidente da Junta mais alguns voluntários que recolocavam os bancos nos seus lugares, após a inundação do corpo principal do templo devido ao rebentamento de um tubo de água. Os efeitos deste primeiro problema após a inauguração não deverão deixar marcas no futuro.
De linhas modernas, mas sem ser modernista, a igreja de Nossa Senhora do Livramento é acolhedora e luminosa por dentro e tem espaços largos e sombras (alpendre) por fora, possibilitando que o convívio prossiga após as celebrações litúrgicas. Conta ainda com cinco salas para catequese e um salão para conferências. O projecto foi do gabinete Domineto, de Ponte de Vagos. Executou-o a empresa Encobarra, da Mealhada.
Na obra, iniciada no dia 27 de Julho de 2008, gastaram-se 800 mil euros. Destes, 150 mil foram dados pela Câmara Municipal de Vagos e outros tantos pedidos à banca, como informa o P.e João Sarrico, que realça a generosidade popular: “Se houve gente que não abriu a mão, outros houve que foram muito generosos”. O pároco destaca iniciativas de emigrantes, no Canadá, por exemplo, ou a oferta de um cálice feito em Cracóvia (Polónia, diocese de João Paulo II antes de ser Papa) e da imagem de Cristo Ressuscitado, que está ao lado do altar.
A nova igreja foi construída no local do templo anterior, que era do final da década de 1940. Durante as obras, a comunidade reuniu-se na capela de Parada de Cima.
Pároco desta comunidade há 10 anos, P.e João Sarrico espera que o novo templo “traga mais sentido de paróquia, mais espírito de Igreja”. “A construção movimentou muito a comunidade. Espero que a dinâmica continue”, afirma.
Igreja de Sosa
Sosa (ou Soza) reconquistou a categoria de vila em 2009 e uma igreja paroquial profundamente renovada em 2010. P.e Fernando Pinto, pároco, enumera os melhoramentos: “Telhado todo substituído, novo tecto, novo sistema eléctrico e de som, limpeza de toda a pedra, reparação dos arcos, pinturas interiores e exteriores, renovação do acesso à torre, substituição do soalho de tijoleira por madeira, requalificação do altar, renovação do adro à volta da igreja”. A enumeração não é exaustiva. As obras custaram 250 mil euros. “Vendemos alguns bens da paróquia, coisa pouca, que renderam 15 mil euros, recebemos cerca de 20 mil euros de emigrantes nos EUA, fizemos excursões, cortejos, teatros, leilões e a Câmara Municipal de Vagos deu 67.400 euros. Tudo junto, no dia da inauguração, faltava angariar cerca de 20 mil euros”, informa o pároco. No futuro, a paróquia pretende restaurar as imagens e a talha dourada do altar-mor – o que custará mais de uma dezena de milhar de euros.
Dos melhoramentos, P.e Fernando Pinto realça o soalho de madeira: “O chão de tijoleira tornava a igreja muito fria. Chegava a rever água. A madeira torna a igreja mais acolhedora e as pessoas sentem-se mais próximas”.
A Igreja de Sosa, dedicada a S. Miguel, é um templo muito antigo, fazendo jus aos pergaminhos da povoação, embora, devido às sucessivas remodelações, pouco reste da igreja original. Não sofria obras desde há 35 anos, na paroquialidade do P.e António Fragoso, altura em foram encontradas três imagens emparedadas. Uma delas, a Nossa Senhora de Rocamador, será a estrela do núcleo museológico que o actual pároco pretende criar.
Jorge Pires Ferreira
“Convido-vos
a edificar o templo de pedras vivas”
“Esta Igreja feita de pedras vivas que é a Comunidade dos crentes reúne-se e congrega-se nas Igrejas – templo como esta que agora inauguramos. Bela e digna como exige o louvor de Deus e merece a presença de todos nós, comunidade dos cristãos. Louvo o vosso esforço persistente e generoso e agradeço a todos quantos colaboraram nesta missão. Convido-vos a continuardes a trabalhar para edificar agora em cada dia que passa o templo de pedras vivas que é a Igreja de Jesus nesta acolhedora terra de Fonte de Angeão”. (Excerto da homilia de D. António Francisco, no dia da dedicação da Igreja, 21 de Agosto de 2010)
Sosa tem história
e arte para constituir museu
“Chamar museu é capaz de ser exagerado, mas temos bastantes imagens que exigem uma exposição digna”, afirma P.e Fernando Pinto sobre o núcleo museológico que pretende criar na paróquia de Sosa. Além das imagens, de que se destaca uma Nossa Senhora dos frades de Rocamador, em pedra, do séc. XII (provavelmente a imagem mais antiga da Diocese de Aveiro), o “museu” vai expor paramentos, livros litúrgicos e o mecanismo do relógio da torre, desactivado. O pároco adianta que o espaço poderá ainda conter cópias de documentos históricos da vila, como é o caso do foral manuelino de 1514.
