Painel D. António Francisco
Bispo de Aveiro
A minha professora da Escola Primária (1.º Ciclo), D.ª Maria Amélia Mota da Silva, ainda viva. Ela estava no início da sua profissão. Juntava no seu dia-a-dia, no trabalho connosco na escola, que prolongava para lá do tempo lectivo oficial, a alegria, a serenidade, o saber e a sabedoria.
Foi ela a primeira pessoa a quem confidenciei timidamente o meu desejo de ser padre. A alegria com que acolheu no seu coração este meu desejo ainda pequenino e o brilho que se espelhou de imediato no seu olhar disseram-me que era esse o meu caminho e decidiram o meu futuro.
Elisa Urbano
Professora de EMRC, directora do Secretariado Diocesano do Ensino Religioso nas Escolas
Marcou-me muito o professor Manuel Ventura, de Matemática, no Liceu Garcia de Orta, no Porto. Vivia-se uma fase complicada no ambiente escolar, após o 25 de Abril, com RGA (reuniões gerais de alunos) e saneamentos de professores. Ele, que não sei se ainda é vivo, manteve uma voz serena no meio da confusão. Isso marcou-me muito, tal como o seu sorriso cúmplice. Tanto que eu era aluna de Letras (depois segui Direito) mas tinha Matemática. Era a única “volante” (seguia-se Letras ou Ciências, mas cada aluno podia escolher uma disciplina da outra área) a escolher a disciplina que todos os alunos de Letras evitavam.
Teresa Correia
Professora de Português na Escola Secundária Mário Sacramento
É difícil escolher! De Moral, de Antropologia Cultural (há anos encontrei a professora a quem disse “Gostava tanto das suas aulas!”), de Português, de História! De uma lembro a irreverência e o seu feitio; admirava os seus conhecimentos em francês (a tecnologia eram os seus livros, que nos mostrava para descobrirmos a cultura francesa) e esperava nunca ser sua aluna de Português, porque ela sabia muito, e eu não! Mas foi mesmo minha professora e com ela apreciei Garrett e Eça. A professora do 12.º de Literatura Portuguesa ensinou-me Pessoa e uma vez levou a viola e cantou um poema de Sophia! Também por causa delas gosto de ensinar!
Alexandre Cruz
Provedor do Estudante da Universidade de Aveiro
A professora Isabel, da escola primária de Canelas. Vive em Aveiro. Há alguns anos tive oportunidade de estar com ela. Porque me marcou? Porque compatibilizava de forma maravilhosa aquilo que era a missão de ensinar, a missão pedagógica, com o acolhimento contagiante, para que aprender fosse um gosto e não um fardo, fosse algo de fantástico.
Numa altura em que se fecham muitas escolas com poucos alunos e se assiste a alguma massificação do ensino, penso que vale a pena realçar o exemplo de personalização do ensino que ela foi.
Arsélio Martins
Professor de Matemática na Esc. Sec. José Estêvão; Prémio Nacional dos Professores em 2007
Só me lembro dos nomes dos professores da universidade e, entre estes, distingo Fernando Dias Agudo (Lisboa), Coimbra de Matos e Manuel Arala Chaves (Porto). Este último é o meu professor, por tê-lo sido para além da universidade. O seu trabalho com o Atractor.pt ainda é uma lição para mim e para todos os professores de Matemática.
Mas o professor que mais me marcou é o meu anónimo professor da 1.ª classe, que não me deixava em casa e quando foi preciso parava a sua bicicleta na primeira casa da aldeia e me carregava para a escola. Com carinho, só podia ser, me sentava numa carteira separada para que eu ouvisse e imitasse o que se fazia. Sem perguntas e sem respostas, aprendi. E me deixou na 2.ª classe para onde ia, no ano seguinte, já pelas minhas pernas, embora ainda para a última fila, de onde saltei para a primeira por saber as respostas todas, mesmo as respostas às perguntas que ninguém apresentava.
