Uma luz que não se apaga

Olhos na Rua A morte definitiva, como a noite interminável, não consegue apagar todas as luzes. Há destas que o tempo e os elementos naturais não tocam. Num momento em que se apela à presença dos cristãos na vida política, aí onde muitos se escondem e omitem, o país acordou para o exemplo corajoso de uma mulher, que morre numa adultez de vida e idade, de onde muito se podia esperar ainda. Esposa, mãe de família, profissional competente, política activa, em tudo deixa um rasto de alegria, entusiasmo, luta que ninguém contesta. Gente de todos os quadrantes políticos e partidários, de um extremo ao outro, o quis livremente testemunhar. Nos pareceres diferentes, as diferenças ideológicas não apagam, antes realçam as suas qualidades humanas, o espírito de luta, a seriedade nas intervenções, a coerência de vida, o respeito pelos outros, a grandeza de alma. Sempre e em todo o lado se afirmou, não como simplesmente uma crente, mas como católica assumida. Passou por problemas sem fim. Lutou pelas causas mais difíceis. Sempre de pé, corajosa, inovadora e solidária. Na acção política, soube perder com dignidade e ganhar sem orgulho. O seu testemunho foi até ao fim. Sabia que o compromisso da fé não prevê intervalos, nem admite desculpas.

Chama-se Maria José Nogueira Pinto! Uma mulher grande, uma luz que não se apaga, um testemunho que pode servir de referência aos católicos que queiram ser tão sérios na política, como na vida.